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Sábado, 18 de fevereiro de 2006, 12h01 
"É estimulante fazer Sinhá Moça, diz Débora Falabella
 
Alexandre Coelho
 
Luiza Dantas/TV Press
Débora Falabella será a protagonista de  Sinhá Moça
Débora Falabella será a protagonista de Sinhá Moça
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Débora Falabella parece ter gostado de atuar em tramas históricas. Depois de viver a primeira-dama Sarah Kubitschek na primeira fase da minissérie JK, a atriz já começou a gravar como a personagem-título de Sinhá Moça, próxima novela das seis da Globo. "É estimulante fazer uma menina que, depois de estudar na capital, volta com ideais abolicionistas e desafia o pai", diz.

Curiosamente, em sua trajetória televisiva - a atriz estreou na temporada de 1998 de Malhação -, Débora só havia feito um trabalho de época, na minissérie Um Só Coração, em 2002. No momento, a participação em dois trabalhos seguidos na tevê não assusta a atriz. Até porque ela não fazia uma novela desde Agora É que São Elas, de 2003. "Apesar de estar começando um trabalho emendado no outro, eu estou achando bacana", garante.

Mais do que voltar a participar de uma trama histórica, dar vida à protagonista de Sinhá Moça foi um convite que soou irrecusável para a atriz. Primeiro porque, para ela, o enredo da novela já é um atrativo e tanto.

Exibida originalmente em 1986, o início da trama se passa em 1886, em um contexto histórico que marca o auge da luta contra a escravidão no país. Como se não bastasse, o texto original é de Benedito Ruy Barbosa, o que, para Débora, já seria um argumento suficiente para que ela aceitasse o papel. "O texto do Benedito, além de muito bonito, dá toda a direção do personagem para o ator", elogia.

O grande fator de sedução para a atriz, entretanto, foi o pano de fundo histórico. Assim como acontece com boa parte dos atores, Débora não esconde o fascínio pelos trabalhos de época. Para ela, tudo o que envolve uma produção semelhante permite que os profissionais envolvidos viagem no tempo. Desde toda a caracterização empregada para compor o visual do personagem até os trejeitos utilizados, a atriz acha estimulante poder "reviver" um outro tempo. "O cabelo, a maquiagem, o figurino, a maneira de falar e de gesticular. Hoje nós estamos muito distantes disso tudo", observa.

Nascida em 1979, Débora não se lembra de quando a versão original de Sinhá Moça foi ao ar. Na ocasião, a eterna Escrava Isaura Lucélia Santos interpretou a personagem principal, evocando os ares de sinhazinha da outra trama. Coincidência ou não, o vilão de Sinhá Moça também era interpretado por Rubens de Falco, ator que deu vida ao Leôncio, vilão-mor da Escrava Isaura original.

Alheia às semelhanças entre uma novela e outra, Débora Falabella prefere não ter referências da versão original de Sinhá Moça, para que ela própria não sofra com comparações. "Eu não assisti à primeira versão e acho isso bom, porque quero fazer algo diferente do que já foi feito", justifica.

Se a composição visual do personagem ajuda o ator a entrar no papel, os aspectos da personalidade da "sinhá" tiveram de ser buscados no texto da novela. Ainda que a nova versão não leve a assinatura do próprio Benedito Ruy Barbosa, coube às duas filhas do autor - Edilene e Edmara Barbosa - a adaptação do texto original. Para Débora, no entanto, o que vale é que a personagem é bem construída. Segundo ela, mesmo em um período em que as mulheres não tinham voz ativa, é prazeroso dar vida a uma contestadora.

Não será a primeira vez que a Débora dará vida a uma personagem de temperamento forte. Apesar do biotipo franzino e do semblante dócil, a atriz já interpretou tipos como a dependente química Mel, em O Clone, e, mais recentemente, a determinada Maria Eduarda, em Senhora do Destino.

Ainda que seus personagens tenham, eventualmente, alguma semelhança entre si, Débora garante que em nenhuma ocasião percebeu alguma característica sua nos papéis que interpretou. "Os personagens são completamente diferentes de mim. É muito difícil viver algum papel que pareça comigo. As pessoas são muito diferentes na vida real", distingue.
 

TV Press
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