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Gente & TV
Quinta, 10 de novembro de 2005, 07h56  Atualizada às 14h45
"Não vale a pena", diz ex-prostituta Bruna Surfistinha
 
Carol Gregnanin
 
Carol do Valle/Divulgação
Experiências da ex-garota de programa Bruna Surfistinha dão origem a um livro
Experiências da ex-garota de programa Bruna Surfistinha dão origem a um livro
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A ex-garota de programa Bruna Surfistinha, cujo nome verdadeiro é Raquel Pacheco, lança este mês o livro O Doce Veneno do Escorpião, pela editora Panda Books, no qual descreve seus programas sexuais com homens, mulheres e casais. O nome do livro é uma referência à sua tatuagem (escorpião) nas costas e a seu signo. "Jamais seria cafetina porque não teria coragem de explorar do jeito que fui explorada. Não vale a pena", disse, em entrevista exclusiva ao Terra.

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Com 172 páginas, o livro traz 36 páginas lacradas, com relatos explícitos abordando tabus sexuais. Raquel conta tudo que viveu nos três anos em que vendeu seu corpo para homens e mulheres em São Paulo.

A idéia do livro nasceu da necessidade que ela sentia de se comunicar com o mundo da prostituição. Primeiro criou um blog onde relatava diariamente as experiências com clientes. Daí foi um pulo até receber a proposta para contar tudo num livro. "Comecei a acompanhar páginas de garotas de programa na Internet e não me identifiquei com nenhuma. Então criei meu próprio site. Quando o cliente ia embora eu publicava a experiência imediatamente, com detalhes que só ele sabia. Eles adoravam e viviam comentando comigo sobre o blog", contou.

E não foram poucas as experiências de Raquel. Quando começou a se prostituir, ao final de seus 17 anos, ela recebia cerca de seis clientes por dia. "Trabalhava das 10h às 2h, não tinha horário livre pra nada. Foi quando comecei a usar cocaína para agüentar a rotina", afirmou. Hoje, aos 21, ela garante que está livre do vício.

Nascida em Sorocaba, Raquel é de família de classe média e seus pais se mudaram para São Paulo quando tinha 13 anos, para que estudasse nos melhores colégios. Então ela começou a namorar sem a aprovação do pai. Foi quando provou maconha e começou a usar a droga com freqüência. "Eu não tinha dinheiro e comecei a furtar em casa para comprar a droga. Meu pai descobriu e brigou feio comigo. Foi quando comecei a planejar minha fuga", explica.

Aos 17 anos, ela comprou um jornal para procurar emprego e desistiu logo de cara, assim que notou as exigências para se conseguir um trabalho. No mesmo jornal encontrou um anúncio em busca de novas garotas de programa. Ela então aproveitou o horário escolar para visitar um clube privê. "Me avaliaram e eu gostei do lugar. Fugi no dia seguinte".

Começou então a rotina incansável. O programa era R$ 100 a hora, sendo que 50% ficava com a cafetina e 10% com a gerente do lugar. No início, as veteranas ajudaram Raquel (que a essa altura já era Bruna Surfistinha) com dicas de como agir com os clientes. "O primeiro toque foi para que eu gemesse bastante, homem adora isso", conta.

Mas ela não escapou da exploração e teve que atender aos homens mesmo doente ou menstruada. De acordo com ela, as garotas usavam algodão dentro da vagina para que o cliente não percebesse nada nos dias de menstruação.

Durante um ano e meio ela só respirou sexo e drogas, dividindo clientes com outras colegas, até que decidiu trabalhar sozinha. Raquel alugou um flat num bairro nobre da capital paulista, supervalorizou a hora de trabalho - subiu para R$ 300 - e começou a receber em casa.

"Melhorou muito, não só com relação à grana. A partir daquele momento eu só recebia aqueles com quem eu me identificava, os que gostavam de conversar, e não só de transar. Não fazia mais negócios com homens acima de 60 anos, parecia que eu estava na cama com meu avô".

O horário do almoço era o mais disputado. "Como 90% deles eram casados, tinham de dar um jeito de escapar no horário de trabalho. Depois das 19h a demanda caía muito".

E foi um homem casado que deu ânimo para que ela deixasse a prostituição. Em janeiro ela conheceu Pedro. Ele morava com a mulher e as duas filhas quando começou a encontrar Raquel. Os dois se viram aproximadamente sete vezes até que perceberam que não existia apenas sexo entre eles.

"No último encontro a gente só conversou. Percebi que estava gostando dele e falei que não cobraria mais pelo sexo. Ele se separou e começamos a namorar no Dia dos Namorados".

Raquel conta que o início da relação foi difícil, já que ela não parou de fazer programas. "Ele tinha ciúmes porque quando me ligava e eu não atendia sabia que estava com cliente. Mas eu falei que pararia ao completar 21 anos (em 28 de outubro) e parei".

Agora, ela espera a separação oficial do namorado para se casar e ter filhos. Raquel afirma que conseguiu juntar um bom dinheiro e não vai passar necessidades por um bom tempo. Seu projeto é ganhar dinheiro com o livro e com o site - sem se vender. "Valorizo as coisas que antes não valorizava."
 

Redação Terra
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