| Pedro Paulo Figueiredo/TV Press |
 Victor Fasano: "se alguém se acha no direito de enfiar um microfone na minha boca, eu não posso aceitar" |
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Victor Fasano afirmou que não se arrepende de ter agredido o Repórter Vesgo durante uma reportagem do programa Pânico na TV, da Rede TV!. Abordado com o trocadilho "Victor, faz anos que não te vejo!", o ator respondeu à brincadeira com um safanão. "Honestamente, não me arrependo do que fiz. Mesmo porque não fiz para machucar. Foi só um alerta. O rapaz ficou apenas um pouco ruborizado", desconversa.
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Pânico na Internê
"Quando alguém quer agendar uma entrevista comigo, basta telefonar que eu marco. Não é o que fizemos? Não estamos aqui conversando educadamente? Pois é. Agora, se alguém se acha no direito de enfiar um microfone na minha boca, eu não posso aceitar. Não acho isso engraçado. Tem gente que acha, eu não!", acrescentou.
Ainda hoje, há exatos 15 anos de sua estréia na tevê, Victor Fasano não sabe o que a autora Glória Perez e o diretor Wolf Maya viram nele a ponto de escalá-lo como protagonista de Barriga de Aluguel. Mesmo na dúvida, ele resolveu aceitar o convite e trocar as passarelas de moda pelos estúdios de tevê.
Apesar das muitas críticas que recebeu, conseguiu se firmar na nova profissão. E, pela quarta vez, volta a atuar numa trama de Glória Perez. Em América, Victor interpreta James Perkins, o advogado das causas impossíveis do núcleo ianque da novela das oito. "A Glória Perez é a autora mais vanguardista que conheço. Muito antes de a gente tomar conhecimento do Katrina, ela já havia colocado um furacão para assolar Miami na novela", brinca.
Mas nem só de novelas de Glória Perez é feito o currículo de Victor Fasano. Dois de seus trabalhos favoritos, aliás, são de outros autores. Um é o inescrupuloso Heitor, de Salsa & Merengue, escrita por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. O outro é o divertido Edmundo Falcão, de Torre de Babel, assinada por Silvio de Abreu. A parceria com Cláudia Jimenez deu tão certo que, um ano depois, eles voltaram a contracenar em Zorra Total. "O melhor de tudo é que pude fazer personagens diferentes entre si. Canso de ver atores que só interpretam um único tipo", observa.
Em seu último trabalho na tevê, Victor interpretou um tipo que não aprecia muito: o galã. De fato, em O Clone, o ator fez o mulherio suspirar com o Tavinho, um quarentão narcisista que enfrentava a crise da meia-idade colecionando flertes amorosos. De lá para cá, o ator limitou-se a fazer uma discreta participação em Canavial das Paixões, do SBT, assumir um cargo público na Prefeitura do Rio. Leia a seguir a entrevista com o ator:
P - Durante anos, você trabalhou como modelo nos Estados Unidos. Essa experiência ajudou na composição do James Perkins?
R - Ajudou sim, e muito. As pessoas costumam dizer que o povo americano é frio. Isso não é verdade. Os americanos têm apenas um outro jeito de ser quente. Com eles, não tem muito essa coisa de tocar, por exemplo, mas isso também não quer dizer que eles sejam antipáticos. Eles são apenas diferentes. Como os australianos e os ingleses, por exemplo. Cada um à sua maneira. No caso do Perkins, mais do que a frieza, eu quis ressaltar um certo cinismo. Por vezes, o cinismo do Perkins pode ser interpretado como dubiedade. Afinal, em novela, você nunca sabe mesmo o que está por vir.
P - Mas você não acredita que o Perkins seja o que aparenta ser?
R - Quando a Glória me chamou para fazer o Perkins, ela não me disse absolutamente nada a respeito dele. Disse apenas que era um advogado, que iria desvendar a quadrilha da Pimenta e só. Ou seja, ele é um advogado, mas bem que poderia ser também um detetive particular, ou um agente do FBI, ou qualquer outra coisa. Por isso mesmo, estou fazendo o Perkins do jeito que, no final das contas, ele possa ser qualquer coisa. Nada impede de ele ser, na verdade, um agente do FBI designado para desbaratar a quadrilha da Pimenta. Como já disse: em novela, a gente nunca sabe mesmo o que está por vir.
P - Mal você entrou na novela e algumas comunidades do Orkut criticaram a sua decisão de participar de uma novela que, supostamente, promove maus-tratos a animais. O que pensa disso?
R - A novela não promove maus-tratos nenhum. A Glória limita-se a mostrar um fato, sem fazer apologia a nada. Ela simplesmente retrata o cotidiano e deixa a sociedade encarregada de tomar uma posição. Cabe ao público julgar se aquilo está certo ou não. Mas a Glória sempre fez isso, em todas as novelas que escreveu. Com América, não seria diferente.
P - América é a quarta novela da Glória Perez de que você participa. O que mais chama a sua atenção no trabalho dela?
R - A Glória Perez não é do tipo de autora que está antenada ao que está acontecendo. Pelo contrário. Ela está sempre um passo à frente do que está acontecendo. Lembro que, na época de Barriga de Aluguel, ninguém ainda falava de inseminação artificial. Foi muito vanguardista da parte dela. O mesmo aconteceu com transplante de órgãos na época de De Corpo e Alma e com clonagem humana por ocasião de O Clone. É impressionante.
P - Barriga de Aluguel, inclusive, foi sua primeira novela. Passados 15 anos, como você avalia sua estréia na tevê?
R - Foi um batismo de fogo! Lembro que a Glória Perez escrevia textos muitos maiores antigamente. Nos dias de hoje, você não vê textos de sete, oito páginas. No meu tempo, todas as cenas tinham, no mínimo, sete, oito páginas. Para mim, que era um novato, decorar aquele monte de cena era complicado. Teve de ser na porrada mesmo. Ou vai ou racha. Para piorar a situação, a gente estava terminando de gravar o capítulo 190 quando, cinco dias depois, a novela foi prorrogada em mais 60. O elenco quase morreu! Pessoalmente, emagreci uns dez quilos.
P - Na ocasião, você não ficou temeroso de estrear na tevê logo no papel de protagonista?
R - Fiquei. Tanto que, quando começaram a insistir muito para eu fazer o protagonista, solicitei uma reunião com a alta cúpula da Globo. Queria explicar para eles que eu não era ator, era modelo. Já tinha feito alguns comerciais e só. Queria que soubessem que não estavam lidando com um profissional. Eu tinha consciência das minhas limitações. Quando a novela terminou, estávamos todos bem cansados. A novela era extremamente dramática. Quando tínhamos cenas de tribunal, por exemplo, a gente não conseguia parar de chorar. O diretor berrava: "Corta, corta!". E nada. Lá, estava eu, chorando copiosamente.
P - Por conta dessa cobrança, não se sentiu na obrigação de provar alguma coisa para alguém?
R - Senti, sim. Quando dizem que você não é capaz de determinada coisa, aí, sim, você fica tentado a provar que é sim. Mas não que essa cobrança chegasse a perturbar. Se perturbasse, teria desistido. Já na primeira novela, recebi uma enxurrada de críticas, como "Quem é esse modelo que veio ocupar o posto de protagonista?" e "Ele não percebe que está tirando o emprego de um ator de verdade?". Tenho de admitir que, no começo, a imprensa pegou pesado. Mas, como gravava feito um louco e tinha texto para burro para decorar, quase não participei desse tipo de polêmica. O que foi bom para mim. Se tivesse lido as críticas, talvez tivesse sofrido mais.
P - O que você pensa da interminável polêmica sobre modelos que, um belo dia, resolvem seguir a carreira artística?
R - Acho um decurso natural da profissão. Nos Estados Unidos, atrizes como Sharon Stone, Julia Roberts e Kim Basinger começaram como modelos. Além disso, o mercado se encarrega de dar a sua "peneirada". Aí, fica o que tem de ficar e sai o que tem de sair.
P - Você arriscaria fazer algum balanço desses 15 anos?
R - Olha, o melhor de tudo é que fiz personagens bem diferentes uns dos outros. Em Salsa & Merengue, lavei a alma com o meu primeiro vilão. Já em Torre de Babel, tive a oportunidade de me despir do bonitão e fazer um tipo mais cômico. Quando interpretei o prostituto de De Corpo e Alma foi aquela loucura! As pessoas não me deixavam sair de casa. Nunca fui tão assediado.
P - Pode-se dizer, então, que, em De Corpo e Alma você tenha vivido o ápice de sua carreira?
R - Como celebridade, sim. Como ator, esse ápice ainda está por vir. Mas o Juca teve um apelo sexual muito grande. Ele repercutiu até mais do que o Zeca. Nas ruas, as mulheres viviam me cantando: "E aí, quanto você cobra para tirar a roupa para mim?". Certa vez, estava no aeroporto de Manaus, atrasado para um vôo, quando a aeromoça brincou: "Você só entra se tirar a roupa!". Respondi: "Tá bom, eu tiro, mas posso entrar primeiro?". Durante muito tempo, me vi perseguido pelo rótulo de símbolo sexual. Evidentemente, não quis levá-lo adiante. Ele acaba impedindo você de fazer outros tipos, como o torto, o sofrido, o horroroso. Nessa época, fiquei um ano e meio em Los Angeles. Quando voltei, fiz Torre de Babel, que foi maravilhoso. A química com a Cláudia Gimenez, aliás, foi sensacional.
Nas passarelas da vida
Muito antes de pensar em ser ator, Victor Fasano já ganhava a vida como jogador de pólo aquático e guia turístico. Na hora de prestar vestibular, no entanto, optou por Administração de Empresas. Nessa época, começaram a surgir os primeiros convites para fazer anúncios e gravar comerciais.
Quando constatou que ganhava mais tirando fotos do que trabalhando oito horas por dia, seis dias por semana, viu que algo estava errado. E resolveu ingressar na carreira de modelo. Dois anos depois, embarcava para a Europa, onde ficou por quase sete anos. "Viajei a Europa inteirinha de mochila nas costas. Até que, um dia, o dinheiro acabou e resolvi voltar", lembra.
No meio do caminho, Victor Fasano mudou de idéia e se mandou para os Estados Unidos. Na terra do Tio Sam, procurou trabalho na agência de turismo de um amigo de seu pai. "Como falava várias línguas, ele me empregou como guia turístico", orgulha-se. Dois anos depois, já de volta ao Brasil, voltou a exercer a profissão de modelo.
Paralelamente à carreira de ator em Barriga de Aluguel, tornou-se o primeiro apresentador do Globo Ecologia. Mas logo pediu para sair por discordar da linha editorial do programa. "O programa não era indicado ao grande público. A população não sabe, por exemplo, o que é desenvolvimento sustentável. Os temas eram elitizados", critica.
Galã ecológico
Nas horas de folga, quando não está despachando na prefeitura carioca, onde ocupa o cargo de Secretário de Promoção e Defesa dos Animais, ou gravando no Projac, Victor Fasano gosta de se refugiar em seu sítio na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Lá, construiu uma espécie de "paraíso ecológico particular".
Com autorização do Ibama, cria, numa área de 1.000 m2, 60 espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão dourado, a arara-azul e a harpia. "Outro dia, dei de cara com uma araponga. Há anos, não via uma dessas por lá", gaba-se. Para a bicharada não estranhar o lugar, Victor plantou frutas típicas de diversas regiões do país. "Os alimentos que elas comem são os mesmos que comeriam no seu habitat natural", garante.
Mas a consciência ecológica do ator não se limita à fauna brasileira. Por vezes, viajou aos mais remotos lugares do planeta só para se engajar na preservação de espécies raras, como as zebras do Quênia e os antílopes negros da Angola. Na ocasião, porém, representantes do governo angolano não viram com bons olhos a iniciativa do ator brasileiro. Conclusão: as últimas fotos da espécie datam do início dos anos 80. "É uma pena, porque o antílope negro é justamente o símbolo do País", lamenta. Mesmo assim, ele não desiste. Em 2001, por exemplo, aceitou participar da campanha Adote um Animal, promovida pelo canal Animal Planet e transmitida para 150 países.
Incansável, Victor Fasano não desiste também da idéia de, um dia, voltar a apresentar um programa ecológico na tevê. "Já apresentei uns dois ou três projetos à Globo, mas sempre esbarro na falta de verba", lamenta.
Enquanto não realiza seu sonho de falar de ecologia na televisão, o ator procura extravasar seu amor pelo meio ambiente de outras formas. Uma delas foi aceitar o convite do prefeito César Maia para assumir a Secretaria de Promoção e Defesa dos Animais. "Na prefeitura, fico pilhado porque as coisas nunca andam. Na Globo, fico tenso porque elas andam rápido demais", compara.
Trajetória profissional
# Barriga de Aluguel (Globo, 1990) - Zeca
# De Corpo e Alma (Globo, 1992) - Juca
# Tropicaliente (Globo, 1994) - François
# Cara e Coroa (Globo, 1995) - Miguel
# Salsa & Merengue (Globo, 1996) - Heitor
# Torre de Babel (Globo, 1998) - Edmundo Falcão
# Força de Um Desejo (Globo, 1999) - Nicolau
# O Clone (Globo, 2001) - Otávio
# Canavial de Paixões (SBT, 2003) - Amador
# América (Globo, 2005) - James Perkins
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