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Quarta, 31 de agosto de 2005, 11h45 
"América" esquenta debate sobre pedofilia
 
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A novela América impulsionou um debate sobre o polêmico tema da pedofilia, que hoje ocupa espaço na TV, no cinema e na sociedade. Diante da repercussão do tema considerado tabu, adultos aproveitam a novela para abordar o assunto com crianças e orientá-las sobre os perigos do mundo virtual.

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A pedofilia entrou em América por meio do personagem Rique, interpretado por Matheus Costa. Rique é atraído pelo pedófilo Bill, vivido por Jaime Leibovitch, através da Internet. O menino conversa com Bill acreditando falar com alguém de 12 anos. Os dois falam sobre games e demais assuntos infantis. Quando se conhecem pessoalmente, o pedófilo alega que é o pai do amiguinho que Rique fez na Internet e que o filho não pôde ir ao encontro porque estava gripado.

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Na primeira tentativa de seqüestrar o menino, Bill é flagrado por Sol (Deborah Secco), que pega Rique e o leva de volta à pensão onde ele mora com os pais, personagens de Rodrigo Faro e Simone Spoladore. Alguns capítulos depois, Rique desaparece.

Repercussão
Com o tema abordado na novela, aumentaram os números de cartas enviadas para a autora Glória Perez e também para o diretor Marcos Schechtman. A Globo, no entanto, não divulga qual o número de cartas recebidas porque não há uma pessoa na emissora responsável pela contagem.

O tom das cartas, segundo a assessoria de imprensa da emissora, é de aprovação diante da iniciativa de tocar em um assunto considerado tabu. Adultos agradecem porque, por causa da novela, têm conseguido conversar com as crianças sobre o assunto.

O assunto, aliás, é justificável no Brasil. Segundo uma ONG italiana que monitora a pedofilia online, houve um aumento de 70,35% em apenas um ano nos sites de pedofilia e o Brasil aparece em quarto lugar na estatística de países que hospedam sites com esse tipo de conteúdo. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que o indivíduo pedófilo tem 16 anos ou mais e pelo menos cinco anos a mais que a criança. Faz parte do âmbito familiar e é considerado exemplo no meio em que vive.

A Abrapia - Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência - tem uma pesquisa que mostra que, no período de 1997 a 2003, foram registradas cerca de 5.070 denúncias. Deste total, 63% consistia em abuso sexual e 37% em exploração sexual. No caso do abuso, 40% acontecia fora da família, mas 60% eram praticados pelo pai, padrasto ou tio.
 

Redação Terra
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