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Caso Michael Jackson
Segunda, 13 de junho de 2005, 18h18  Atualizada às 19h48
Jackson é absolvido de acusação de pedofilia
 
Reuters
Michael Jackson foi declarado inocente
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Os doze jurados da Corte de Santa Maria consideraram Michael Jackson inocente do suposto crime de pedofilia contra um menor de 13 anos, após 32 horas de discussões. O astro foi absolvido das 10 acusações que constavam no processo. O julgamento começou em 31 de janeiro e durou 134 dias.

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Jackson foi convocado horas antes do resultado ser anunciado. Ele deixou seu rancho, em Neverland, e foi para o tribunal acompanhado por um comboio de carros para ouvir a decisão.

Logo após o anúncio do veredicto, centenas de fãs vibraram, emocionados, na porta do tribunal. Muitos deles faziam vigília há semanas no local. "Nós e a família estamos muito aliviados", disse a porta-voz Angel Howansky ao deixar o tribunal.

Os jurados dizeram ter tomado a decisão com "absoluta certeza". Eles não poderão falar com outras pessoas sobre o caso pelo período de um ano e meio, para respeitar a "ordem do silêncio", que consta no código norte-americano. "Nós, jurados, estudamos completa e meticulosamente os testemunhos e as evidências apresentadas", disseram em uma declaração conjunta lida do lado de fora da corte. A jurada identificada como "número dez", ratificou a frase. "Chegamos a um veredicto com certeza."

Entenda o caso

A denúncia surgiu em 18 de novembro de 2003 quando a polícia de Los Angeles invadiu o rancho do cantor com um mandado de busca atrás de evidências que confirmassem as acusações de abuso sexual. Na ocasião, Jackson estava em Las Vegas gravando um especial para rede CBS, e, apesar da declaração pública quase imediata dos porta-vozes de Jackson, as autoridades da Califórnia se apressaram em expedir um mandado de prisão contra o astro.

Dois dias depois, Jackson voltou a Santa Barbara para se apresentar à polícia. A chegada do cantor contou com vasta cobertura da imprensa e ele foi direto do aeroporto para a sede da polícia, chegando ao local algemado. Horas depois, Jackson deixou o distrito mediante o pagamento de uma parcela da fiança estipulada no valor de US$ 3 milhões.

Nos meses seguintes a investigação se intensificou e o promotor Tom Sneddon tornou-se um dos protagonistas da história ao contribuir com inúmeras declarações irônicas e ácidas sobre o cantor. Sneddon foi também promotor no caso de 1993, quando um acordo milionário pôs fim às acusações antes que o escândalo fosse aos tribunais. Jackson e a família de Jordan Chandler, então com 13 anos, firmaram um acordo no valor estimado de US$ 40 milhões.

A identidade do menor que o acusa agora também chegou a ser revelada, mas em seguida uma ordem judicial determinou que os nomes da suposta vítima e de sua família não fossem mais citados publicamente. O menor aparece no polêmico documentário Living With Michael Jackson, do jornalista britânico Martin Bashir, na qual o cantor admite que já dividiu a cama com crianças, "mas não de uma forma sexual, e sim de um jeito doce e carinhoso."

A primeira audiência aconteceu apenas em janeiro de 2004, e as atitudes de Jackson na ocasião serviram apenas para prejudicar mais ainda sua imagem pública. Michael Jackson chegou ao tribunal atrasado e acompanhado pela família. Após uma breve sessão, deixou o local, que estava cercado por fãs. Antes de ir embora, subiu no teto de seu carro e deu um show para os fãs que estavam em vigília.

Poucos dias depois, em uma aparição bem mais discreta, o astro declarou ser inocente das dez acusações, entre elas abuso sexual de um menor, conspiração, extorsão, tentativa de seqüestro e administração de substâncias tóxicas com fins lascivos.

Um ano se passou até que o julgamento realmente começasse no dia 31 de janeiro deste ano. A primeira fase foi a de seleção do júri. Esse processo durou quase um mês, até o dia 24 de fevereiro. Foram selecionados 12 jurados titulares (quatro homens e oito mulheres), e oito suplentes (quatro mulheres e quatro homens).

Entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, promotoria e defesa fizeram suas considerações iniciais. Ainda no dia 1º de março a promotoria começou a chamar suas testemunhas. A equipe, liderada por Tom Sneddon, convocou ao tribunal um total de 91 testemunhas de acusação. As declarações mais polêmicas foram do menor que acusa Jackson, sua mãe e ex-funcionários do astro que confirmaram os abusos sexuais.

A promotoria encerrou a convocação de testemunhas apenas dois meses depois, em 4 de março. No dia seguinte, foi a vez da equipe de defesa, liderada pelo criminalista Thomas Mesereau Jr. convocar suas testemunhas. Mais comedida, a defesa do astro chamou apenas 51 pessoas para testemunharem em favor de Michael Jackson. Os destaques ficaram com o apresentador Jay Leno e o ator Chris Rock.

Três semanas depois, no dia 25 de maio, a promotoria voltou a ter voz no tribunal e apresentou o que achava controverso sobre as declarações das testemunhas de defesa. Numa estratégia que muitos peritos não compreenderam bem, a defesa de Jackson abriu mão do mesmo privilégio, e não comentou as declarações das testemunhas de acusação.

Na última quarta-feira, dia 1º de junho, os doze jurados titulares e os oito suplentes receberam instruções do juiz Rodney Melville sobre como proceder durante a fase de deliberação. Na quinta, dia 2, promotoria e defesa fizeram suas considerações finais sobre o caso. Sneddon chamou Jackson de "predador", e Mesereau voltou a defender a tese de que os acusadores do cantor estão interessados em seu dinheiro.

Por mais que desde o início do caso, Melville tenha garantido um julgamento imparcial para Jackson, o caso teve todos os elementos de uma novela. A imprensa acompanhou de perto o dia-a-dia na corte de Santa Maria, e fãs fizeram uma vigília permanente. A saúde de Jackson muitas vezes foi colocada em questão. Em três ocasiões, a corte entrou em recesso devido a internações repentinas do cantor. Em uma delas, no dia 10 de março, Melville ameaçou emitir um mandado de prisão inafiançável contra Jackson.

Na sexta, dia 3 de junho, o júri começou suas deliberações secretas sobre o caso. Durante a reunião, eles avaliaram cada uma das dez acusações contra Michael Jackson. O cantor foi acusado de conspirar para cometer abuso sexual infantil, extorsão e cárcere. Ele enfrentou ainda cinco acusações de abuso sexual infantil e mais quatro acusações de ter oferecido bebidas alcoólicas a um menor de idade com intuito de cometer abuso sexual.
 

Redação Terra
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