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Estudiosos religiosos sauditas condenaram o concurso televisivo árabe "Star Academy" como crime contra o Islã e pediram ao cantor pop saudita vencedor, no mês passado, que se arrependa de seus erros. Mais de 60 xeques se voltaram contra o jovem Hisham Abdulrahman, cuja vitória no reality show "Star Academy" desencadeou o mais próximo que já se chegou no reino muçulmano ultraconservador a uma histeria coletiva em torno de um ídolo pop. Num comunicado divulgado no Web site de jornalismo saudita Al-Wifaq (www.al-wifaq.net), os xeques criticaram a emissora de televisão libanesa que exibiu o programa, tachando-a de "depravada". "Jovens árabes de ambos os sexos foram postos juntos, num estado abominável de junção dos sexos ... expondo seus corpos, cantando, dançando e praticando corrupção", disseram os religiosos. Quando retornou à Arábia Saudita, no final de abril, Abdulrahman foi recebido como herói. Mas uma aparição pública sua num shopping de Riad, quando fãs correram para apertar sua mão e até beijá-lo, foi demais para as autoridades. Militantes de um grupo conhecido como Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício o retiraram do local e puseram num avião com destino a Jidá, cidade situada às margens do Mar Vermelho, disse o jornal. "Vários jovens e moças formaram uma multidão à sua volta, e ocorreram desvios de comportamento. Então a comissão o retirou de Riad, atendendo a ordens do governador", disseram os 63 xeques no comunicado, datado de segunda-feira. "Pedimos a esse jovem e a todos que participaram com ele .... e a todos que deram cobertura de mídia, prêmios ou votos, que se arrependam diante de Deus", disseram os xeques. A Arábia Saudita, onde predomina o wahabismo, a vertente mais puritana do islamismo, exige que as mulheres se cubram quando aparecem em público e que sejam acompanhadas por um parente homem. Homens e mulheres que não são casados são proibidos de andar juntos. "DEFEITO DA SOCIEDADE" No programa "Star Academy", vários músicos jovens vindos de várias partes do mundo árabe dividiram uma casa e foram filmados 24 horas por dia, enquanto competiram por um contrato com uma gravadora. O programa atraiu um público enorme em toda a região, mas despertou a ira dos estudiosos religiosos. A maior operadora de telefonia celular da Arábia Saudita anunciou em janeiro estar impedindo seus clientes de votar no vencedor por mensagem de texto porque o programa não condiz com os valores nacionais. Mas muitos sauditas disseram que conseguiram votar, mesmo assim. "O que aconteceu é visto como crime contra o islã e uma grande ofensa à nação islâmica", diz o comunicado dos religiosos. O documento também critica as multidões que se formaram para ver Abdulrahman, dizendo que sua presença "indica a presença de um defeito na sociedade." O site Al-Wifaq disse que as autoridades sauditas proibiram Abdulrahman de aceitar qualquer prêmio na Arábia Saudita. Isso significa que o cantor não poderá receber um carro que uma empresa saudita pretendia lhe entregar.
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