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Caso Michael Jackson
Terça, 12 de abril de 2005, 07h46 
Jackson teria lambido a cabeça de um menino
 
AP
Michael Jackson é acusado de abuso sexual de um menor
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Um ex-assessor de imprensa de Michael Jackson disse nesta segunda-feira perante a Corte de Santa Maria (Califórnia, oeste dos EUA) que viu o cantor lamber a cabeça de um menino durante uma viagem de avião, perto do fim de uma série de depoimentos sobre antigas acusações de abuso sexual que pesam sobre o famoso réu.

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O ex-assessor, Bob Jones, disse ter visto o fato durante uma viagem de Paris a Los Angeles, em 1992.

Segundo ele, o cantor e o menino "estavam abraçados e Michael Jackson lambeu sua cabeça".

O testemunho do ex-assessor - que trabalhou para Jackson entre 1987 e 2004 e em seguida escreveu um livro contando suas experiências - foi confuso, já que a princípio ele tinha afirmado que não se lembrava do incidente.

No entanto, o promotor Gordon Auchincloss conseguiu com que Jones admitisse ter escrito uma carta ao co-autor do seu livro, na qual contou que Jackson tinha lambido a cabeça do menino.

Jones afirmou, então, que se escreveu isto é porque era verdade.

O menino é o mesmo com quem Michael Jackson fechou um acordo extrajudicial, em 1994, a quem pagou US$ 15,3 milhões para evitar que uma acusação de abuso sexual feita no ano anterior fosse levada à Justiça.

Jackson pagou mais US$ 7 milhões aos pais do menino e seus advogados para evitar ser julgado.

Esta semana, os membros do júri ouvirão novos testemunhos que dão detalhes sobre supostos abusos de cinco meninos, supostamente ocorridos no início dos anos 90.

Entre os testemunhos previstos está o da mãe de uma suposta vítima, em 1993, cujo filho se negou a depor perante a corte.

O autodenominado "rei do pop" enfrenta um julgamento por abuso sexual de um menor, supostamente ocorrido em seu rancho Neverland, em Santa Bárbara (Califórnia), dois anos atrás. A promotoria espera que os testemunhos sobre acontecimentos anteriores demonstrem que o acusado é um pedófilo reincidente.

Nos últimos dias o júri enfrentou a difícil tarefa de pesar as chocantes revelações e as freqüentes incoerências nos relatos sobre fatos que teriam ocorrido há mais de dez anos no mesmo rancho Neverland.

Outra testemunha-chave da acusação é Christopher Carter, ex-chefe de segurança do rancho, mas os advogados de Jackson provavelmente explorarão seu ponto fraco: há pouco ele foi detido por assalto à mão armada e seqüestro.

O chefe da defesa, Thomas Mesereau, já fez avançou na campanha para destruir a credibilidade das testemunhas apresentadas pela promotoria.

Nos últimos dias, várias testemunhas deram depoimentos chocantes nos quais acusaram Jackson de apalpar e beijar menores, tomar banho com eles e, em um caso específico, de fazer sexo oral em um adolescente de 13 anos.

Mas a defesa poderá chamar algumas das supostas vítimas, que negaram que o cantor as tivesse tratado de forma imprópria.

A acusação parece pronta para concluir a apresentação de casos antigos em poucos dias para em seguida passar a se concentrar nas acusações de seqüestro, também atribuídas ao cantor, e que até agora teve problemas para provar.

Os promotores afirmam que Jackson não só apalpou o demandante, que na época tinha 13 anos e sofria de câncer, mas também forneceu a ele bebida alcoólica e conspirou para mantê-lo em seu rancho junto com a família na tentativa de evitar um escândalo.

O principal promotor no caso, Tom Sneddon, disse que poderá concluir sua apresentação do caso em breve, embora seja possível que o julgamento se estenda por meses.

"Posso ver a luz no fim do túnel no que diz respeito à nossa acusação", disse Sneddon ao juiz Rodney Melville na sexta-feira.

Melville, um juiz sóbrio e severo que gosta de ocasionalmente amenizar as sessões com seus comentários, perguntou ao promotor, em tom jocoso, se isto queria dizer que terminará em dezembro ou janeiro.

"Acho que a luz é um pouco mais brilhante que isso", respondeu Sneddon.

Jackson, que se for condenado poderá ter que cumprir uma pena de até 20 anos de prisão, declara inocência de todas as acusações.
 

AFP

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