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Entrevistas
Sábado, 19 de fevereiro de 2005, 23h00 
"O SBT não é apelativo", diz Paulo César Grande
 
André Bernardo
 
Rogério Lorenzoni/Terra
Paulo César Grande vive um dos protagonistas da novela  Esmeralda
Paulo César Grande vive um dos protagonistas da novela Esmeralda
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Para o ator Paulo César Grande, o melhor está sempre por vir. Por isso mesmo, ele raramente recusa os convites de trabalho que recebe. Desde que estreou na tevê em Ninho da Serpente, novela exibida pela Band em 1982, o ator já passou pela Globo, Manchete e Record. Hoje, aos 47 anos, estréia no SBT, como o fazendeiro Rodolfo, um dos protagonistas da novela Esmeralda.

O temperamento machista do personagem, garante, já angariou alguns desafetos para o ator em São Paulo. "Alguns telespectadores vieram mexer comigo, dizendo que maltrato muito a Esmeralda. Mas eles também não podem mexer muito, porque eu sou 'grande' e eles ficam com medo", diverte-se.

Paulo César Grande só ficou com o papel de Rodolfo porque outro Paulo, o Gorgulho, declinou do convite. O ator exigiu que ele fizesse, sempre que necessário, algumas intervenções no original mexicano. Como o contrato firmado entre o SBT e a Televisa não permite tais liberdades, o Gorgulho pulou fora.

"Quando saio às ruas, noto que o público gosta das novelas do SBT. Elas não têm apelação", elogia Paulo César Grande.

Pior do que decorar o texto mexicano, pondera o ator, só mesmo agüentar a saudade de casa. "Como bom profissional que sou, eu vou aonde o trabalho me levar. Felizmente, a Cláudia Mauro também é atriz e compreende a minha situação", resigna-se.

O que motivou você a fazer Esmeralda no SBT?
Foi o trabalho em si. A gente tem de trabalhar, não é mesmo? E o SBT está abrindo novas frentes de trabalho. Não só para nós, atores, mas também para técnicos, figurinistas, maquiadores e até para o telespectador em geral. Noto que o público gosta das novelas do SBT porque elas são simples, ingênuas, não têm apelação. Quanto à novela em si, estou feliz por fazer parte do núcleo principal. Nunca tive um personagem de tanto peso assim antes. Nunca fiz protagonistas. Já tive grandes papéis, como o Aramis de Cambalacho, o Bertrand de Que Rei Sou Eu? e o Wilson de Por Amor, mas nenhum deles tinha a carga dramática do Rodolfo.

Você já passou por diversas emissoras como Manchete, Record e Globo. O que está achando do SBT?
Eu diria que o SBT está no caminho certo. O importante é não parar. O lado humano da emissora, por exemplo, é muito legal. A estrutura que eles oferecem para o elenco é das mais bacanas. No SBT, tenho "flat", condução, passagens aéreas... Não tenho do que reclamar. Quanto à parte técnica, não posso dizer o mesmo. As câmaras, por exemplo, são um tanto antigas. Mas eles já avisaram que estão providenciando outras...

Mas o ritmo de trabalho é tão puxado quanto dizem?
É sim. Mais do que puxado, eu diria até que é frenético. Ainda mais porque eu faço parte do núcleo principal. Mas sabe que eu prefiro assim. Eu não gostava quando chegava na Globo e ficava horas esperando para gravar uma ceninha ou outra. Hoje, prefiro ficar cansado de gravar a ficar cansado de esperar...

O Paulo Gorgulho recusou o papel do Rodolfo porque não teve liberdade para fazer alterações no texto. O que você acha disso?
Acho que Esmeralda é o que se pode chamar de um autêntico novelão mexicano. O que estamos tentando é infundir uma alma brasileira nesse novelão. Quanto ao texto, confesso que tive uma certa dificuldade no início. Ele era muito "duro", não cabia direito na boca. Aos poucos, fui amaciando as falas do meu personagem. A tentativa é de abrasileirar o texto, adaptando-o à nossa realidade.

Atualmente, você mora no Rio e grava em São Paulo. Como tem sido a sua rotina?
Geralmente, gravo de segunda a sexta e, no final de semana, viajo para casa. Mas nem sempre é possível. Às vezes, gravo também aos sábados. Mas não reclamo. Como eu costumo dizer, estou onde o trabalho estiver. Embora seja paulista, já moro no Rio há 23 anos. Não saberia viver em outro lugar. Felizmente, a Cláudia também é atriz e compreende a minha situação. O único problema é a conta do celular no final do mês.
 

TV Press
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