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Recentemente, Miguel Falabella disse que não sabia para que público estava escrevendo em Negócio da China. Primeiro, o autor alegou que não está acostumado a redigir para o horário das seis e que o público desta faixa se pulverizou nos últimos anos.
Na verdade, isso tem se refletido na declinante audiência do horário e da trama atual, que chegou a estrear com satisfatórios 30 pontos de média e, agora, amarga a insuficiente média de 20 pontos ¿ a audiência da novela chegou a ser menor que a reprise de Mulheres Apaixonadas no Vale a Pena Ver de Novo.
No entanto, Miguel mostra que não pretende jogar a toalha e começou a movimentar ¿ embora com lentidão ¿ o núcleo principal da trama. Enquanto o carisma de Grazi Massafera parece ter se diluído com a protagonista Lívia, Miguel deu uma chacoalhada na história com a entrada do charmoso médico Otávio, de Dalton Vigh. O "homem de branco" já começou a deixar o portuguesinho João, do lusitano Ricardo Pereira, enlouquecido de ciúmes.
Enquanto o núcleo principal começa a se reerguer com o novo triângulo amoroso, o autor também joga suas fichas na mesma figura geométrica com Antonella, Celeste e Diego, de Fernanda de Freitas, Juliana Didone e Thiago Fragoso, respectivamente.
O que mais ressalta nas cenas é o carisma de Fernanda. Na pele de uma determinada e ponderada advogada, a atriz tem se superado principalmente nas tomadas mais dramáticas e se destaca numa interpretação cuidadosa, sem cair na caricatura das mocinhas sofredoras. O mesmo se pode dizer de Juliana Didone, que mais uma vez mostra que dá conta de personagens voluntariosas com uma evidente destreza.
Mas o vértice masculino do triângulo, de Thiago Fragoso, ainda conta seus incipientes recursos dramáticos, mas não faz feio como um homem centrado e indeciso entre duas mulheres. Mesmo assim, a atenciosa direção de Mauro Mendonça Filho está evidente em cada cena, com um cuidado especial para a direção dos atores.
Sua assinatura não chega a ser inovadora ou original, mas é correta e cumpre seu papel. A única deficiência das imagens são algumas tomadas escuras, com um suspense um pouco carregado para o horário com a busca do "pen drive" bilionário.
Os matizes de cinza das cenas mais pesadas de sofrimento conseguem se dissolver na parte mais cômica da história, composta pelo núcleo de portugueses. Não só o sotaque, mas o jeito despachado e os gestos largos dos atores, bem como as expressões da "terrinha" soam como um refresco cômico à história que de fato poderia ter todo seu fio condutor ligado à comédia. Que, afinal, é a verdadeira praia de Miguel Falabella.
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