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Quinta, 5 de fevereiro de 2009, 18h07  Atualizada às 21h30
Lily Allen fala sobre maturidade e os ataques da imprensa
 
Melena Ryzik
 
New York Times/Divulgação
Lily Allen abriu sua casa para dar entrevista ao  New York Times
Lily Allen abriu sua casa para dar entrevista ao New York Times
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Lily Allen está em sua cama, embaixo das cobertas, completamente vestida. A pose é temporária. A estrela pop britânica é conhecida por certa dose de exibicionismo em suas letras e em sua vida. Ela não demora a se levantar, despir e mostrar, enquanto se prepara para uma noite de festa e fofocas.

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Mas primeiro ela precisa tratar da entrevista, em seu modesto apartamento londrino. Devorando batatas chips, ela não hesita em mostrar a casa à repórter. O apartamento tem três quartos, mas o menor deles serve como closet.

O quarto de Allen é azul, e uma banheira antiga fica a curta distância da cama. Como o resto do espaço, o quarto está repleto de arte e de recordações: pinturas de artistas da galeria Saatchi, crachás dos shows de Allen, uma imagem em papel-cartão da cantora ("mas ela é mais gorda", brinca Allen), um bilhete carinhoso de Elton John e David Furnish e uma cópia emoldurada da intimação judicial que ela recebeu por agredir um fotógrafo. ("Ele estava tirando uma foto por baixo da minha saia, e eu o chutei", conta.) Allen calça sapatos baixos Chanel para mostrar o jardim; antes de se tornar cantora, ela estudou por algum tempo para ser florista.

A cantora de 23 anos comprou o apartamento, seu primeiro, 18 meses atrás, depois do sucesso de seu primeiro álbum, Alright, em 2006. Um álbum de letras ousadas e som influenciado pelo ska e pelo reggae, Alright vendeu mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos e 2,5 milhões em todo o mundo, e lhe valeu indicações para o prêmio Grammy e para o MTV Awards, bem como uma reputação como estrela da era dos blogs e do MySpace.

Usando vestidos retrô, brincos de argola imensos e tênis, ela cantava com franqueza sobre namorados, sexo ruim, boas drogas e noitadas que envolviam um pouco de tudo isso. O hedonismo também se fazia sentir fora dos palcos; Allen passou por uma fase de mau comportamento público que culminou em fotos que a mostravam sempre cambaleando - ou carregada - para fora de casas noturnas, para delícia dos paparazzi.

Recentemente, porém, ela vem se esforçando para proclamar que é uma menina caseira. Dentro do apartamento, envolta em um cobertor cinzento e bebendo chá com leite, ela fala baixo, aninhada em uma cadeira azul em sua sala de estar. "Nós nos sentamos a esta mesa e jogamos Scrabble", ela diz sobre suas noitadas com amigos.

Em seu novo álbum, It's Not Me, It's You, que sai na terça-feira pela Capitol/EMI, ela exalta os prazeres da comida chinesa delivery, de assistir TV e de levar seu cachorro para passear. O som tem menos cara de discoteca festiva em Ibiza, e ela trata, além de seus temas usuais de amor, drogas e fornicação, também de assuntos mais adultos: tensão familiar, política, religião. "Maturidade" é a palavra que a gravadora escolheu para designar esse novo estilo.

"Nós realmente acreditamos que exista uma grande oportunidade para que ela dê um imenso passo à frente", disse Howard Handler, vice-presidente executivo de marketing da EMI. "Existe uma oportunidade real de conectá-la a uma audiência muito maior, aqui e nos Estados Unidos. Ela também se desenvolveu bastante como artista".

Mas o novo álbum, o primeiro desde que Alright, Still, fez de Allen um símbolo de rebeldia feminina, também demonstra sem vergonha o anseio da cantora pelas marcas exteriores da celebridade. No novo single, The Fear, ela canta que quer ser rica, ganhar muito dinheiro, e declara que não tem vergonha de tirar a roupa porque todo mundo sabe que é assim que as pessoas conseguem fama.

Essa franqueza sempre serviu bem a Allen, que foi uma das primeiras artistas a explorar o MySpace como veículo para formar uma base de fãs, postando demos no site antes de seu disco de estréia e atraindo atenção com um blog franco que colocava em destaque suas inseguranças de menina comum, sobre sua aparência e peso, bem como a arrogância incipiente de sua persona como estrela pop, nos momentos em que ela detonava cantores mais conhecidos.

Agora, Allen precisa enfrentar as consequências de tanta acessibilidade. "Não sei mais o que é certo e o que é real", ela canta também em The Fear, que vem ascendendo nas paradas de rádio.

Especialmente no Reino Unido, Allen se vê como alvo dos tablóides. Ela não curte mais a atenção recebida, especialmente depois de um ano tumultuado no qual ela passou por um aborto natural, perdeu sua avó e trabalhou no projeto de um programa de entrevistas. Equilibrar sua persona pública e sua vida privada, algo que ela diz desejar, poderia torná-la uma artista internacional mais séria - ou poderia alienar os fãs acostumados com sua personalidade aberta.

Ainda que ela continue postando no Twitter, Allen agora não escreve muito em seu blog. "Simplesmente não dá para ficar lá me defendendo o tempo todo", ela afirma. "E diante de quem preciso me defender, aliás?"

(Tradução: Paulo Migliacci)
 

The New York Times
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