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Quando foi chamada para interpretar a malandra Edilza de Negócio da China, Deborah Kalume já vibrou com a possibilidade de passar seis meses no ar dizendo apenas "bom dia" ou "boa tarde" aos clientes do fictício armarinho da trama de Miguel Falabella.
Mas, com as mudanças decorrentes da saída de Fábio Assunção, que encarnava o mocinho Heitor, a personagem se revelou uma informante do chinês Wu, de Anderson Lau.
E, agora, Deborah se entusiasma com a participação crescente no já formado trio de vilões da novela, vivido por ela, Lau e Fernanda Rodrigues, que encarna a malvada Stelinha. "Foi com o sumiço do Heitor que percebi a ligação da Edilza com a máfia chinesa", lembra a atriz.
Depois de encarnar a professora exemplar Eneida na última temporada de Malhação e a executiva Anabel no seriado Donas de Casas Desesperadas, Deborah já se sente mais segura ao atuar na TV.
E, por isso, se preocupa agora com as características específicas de Edilza. Com a personagem cada vez mais envolvida nas cenas de briga, Deborah já foi roteirizada para aparecer em lutas de kung fu.
"Minha irmã começou a praticar por influência da novela e estou pensando em treinar junto com ela", conta a piauiense, que participou de algumas aulas do esporte na própria emissora.
A aparente tranqüilidade de Deborah com a televisão se justifica por seu currículo. A atriz já participou de mais de 20 turmas de Teatro e termina, no próximo ano, um curso profissionalizante em Artes Cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras, famosa instituição do Rio.
Isso porque, até 2006, quando estava com 29 anos, a jovem trabalhava como analista de sistemas. Deborah se formou em Informática na PUC, no Rio, apesar de não se entusiasmar com a carreira. "Diziam que era a profissão do futuro e eu decidi investir nisso", confessa ela, de 31 anos, que dedicou quase uma década de sua vida à antiga profissão.
Mesmo com a forte diferença salarial entre as duas profissões ¿ Deborah não fala em valores, mas garante que ganha "muitíssimo menos hoje" ¿, a atriz não se arrepende da escolha.
E não é capaz de se enxergar mais como administradora de banco de dados, cargo que ocupava até nascer seu filho, João, hoje com 3 anos. "Aproveitei a maternidade para desistir de tudo e focar nas artes cênicas", explica.
Mulher de Fábio Barreto, Deborah o aproveita para ajudá-la na hora de decorar seu texto. "Ele passa as cenas comigo e assiste a tudo que eu faço", conta, orgulhosa. E ela não esconde que, de alguma forma, pode utilizar o marido na hora de batalhar uma oportunidade na TV.
"Não dependo dele para conseguir nada. Mas claro que ele tem contatos que eu não tenho para que eu envie meu material de divulgação", assume, garantindo que, sempre que pode, esconde o nome do marido nos testes que faz para trabalhos. E afirma que, antes de ser chamada pela Globo, chegou a procurar a Record para tentar disputar algum papel nos folhetins da emissora. Mas foi em vão.
"Só não fui nas emissoras de São Paulo porque tenho filho pequeno e marido no Rio e seria muito desgastante ter de me dividir entre as duas cidades", explica.
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