| José Paulo Cardeal/Globo/Divulgação |
 Ana Maria Braga com Belinha no colo: "Não me sinto com 55 anos" |
|
|
 |
Busca |
|
Busque outras notícias no Terra:
|
 |
|
Aos 55 anos e prestes a completar cinco anos de Globo, a apresentadora do Mais Você pensa todos os dias no câncer que sofreu, se acha bonita, gasta uma fortuna no dermatologista, gostaria de que as pessoas tentassem ser mais felizes e quer porque quer um programa de auditório.
Veja as fotos!
No final da tarde de todos os dias, Ana Maria Braga exibe um sorriso vitorioso. Depois de trabalhar por mais de 15 horas e de ter tocado um programa ao vivo, e diário, a apresentadora vai para casa com a certeza do dever cumprido. Dona de uma sonora risada e de um jeito estabanado único, a paulista de São Joaquim da Barra mostrou desde cedo que não seria - e não queria - ser uma mulher comum.
Já na adolescência, disposta a fazer faculdade, fugiu de casa para se formar em Biologia pela Universidade de São Paulo, em São José do Rio Preto. Com o diploma nas mãos, veio para São Paulo para fazer uma especialização, mas acabou arrumando um emprego na TV Tupi. Na extinta emissora, apresentou telejornais e estreou um programa feminino ao vivo.
Disposta a investir na promissora carreira, cursou Jornalismo e chegou ao posto de diretora comercial das revistas femininas da Editora Abril. Em 1992, recebeu o convite para voltar à televisão e apresentou durante sete anos o Note e Anote na Record, ganhando, nessa época, o título no Guiness Book da maior permanência no ar.
Em 1999 foi convidada para apresentar o Mais Você na Globo e em outubro completará cinco anos na emissora. Hoje, está à frente de uma equipe de mais de 60 pessoas e seu nome tornou-se marca de vários produtos espalhados pelo País, desde revistas voltadas ao público feminino até café.
Depois de dois casamentos, mãe de dois filhos e de ter enfrentado um câncer, Ana vive uma fase em que só quer namorar e aproveitar a vida. Vaidosa, confessa que fuma e não faz exercícios, mas gasta uma fortuna em dermatologia. "Deixo um carro cada vez que vou ao dermatologista". Planos para o futuro? "Quero um programa de auditório. Vou ficar falando isso até ganhar um".
Como é sua rotina diária?
Eu levanto às 5h30, 5h45 quando estou muito cansada. Tomo um banho para acordar e venho para a Globo, eu e a Belinha (a cachorrinha mascote do programa). Chego na maquiagem às 6h30. Quando o programa acaba e eu vou para minha sala (por volta das 10 horas) sinto como se já fosse umas 16 horas. Eu durmo às 21h, 22 no máximo. Se um dia, eu abuso um pouco, estou podre no dia seguinte, mas em 12 anos de TV, nunca me atrasei.
E a rotina do Mais Você?
Depois de fazer cabelo e maquiagem, por volta das 7h15, a equipe de produção sobe e a gente passa o programa que começa pouco depois. A gente repassa o que ficou acertado e encaixa os factuais, a morte de alguém ou uma notícia curiosa. O legal de fazer programa ao vivo é isso. Entra o factual, tem mais jornalismo. Imagina só se o programa, que entra logo depois do telejornal, fosse gravado. O trágico 11 de Setembro é um bom exemplo disso. Tivemos agilidade para cobrir o que interessava às pessoas naquele momento.
O que é ter a máquina da Globo trabalhando a seu favor?
Uma coisa que eu aprendi na Globo é que um só não basta, tem que ter sempre dois. É a preocupação constante com a qualidade. Aqui você não tem como dizer que não fez o melhor se você tem o melhor. A responsabilidade aumenta.
Como é montado o cardápio de assuntos do programa?
O programa não é feminino de variedades. A gente vai ao logo depois do telejornal, por isso, sempre começamos com uma matéria mais voltada ao público masculino ou mais factual mesmo. A gente não fala sobre o impacto das decisões econômicas no País, mas fala de como isso pode afetar o bolso do cidadão. Do segundo bloco em diante, a gente foca mais na mulher, no adolescente, na criança. É um programa para a família.
O que você acha que mudou nesses quase cinco anos de programa?
A gente ganhou mais agilidade, a equipe está muito entrosada. Saíram poucas pessoas, mas a equipe é basicamente a mesma desde que começamos. A Globo não tinha nenhum programa diário que não fosse jornalismo e que fosse ao vivo. Essa preocupação em experimentar a fórmula preocupava a empresa e isso passava para a apresentadora. Se está todo mundo inseguro é natural que a cobrança seja alta.
E como foi para você se adaptar a tudo isso?
Foi muito difícil para gente se adaptar, a equipe não me conhecia, não sabia como eu trabalhava. Hoje em dia eu erro e erro bem. A empresa também se acostumou a lidar com isso. A gente nunca levou um puxão de orelha. Era uma cobrança minha, o medo natural de você, de repente, não acertar naquilo que você está se propondo a fazer.
O que mudou na sua vida pessoal com um programa que vai ao ar tão cedo?
Eu não me permito atrasar. Duas pessoas mais o despertador têm a responsabilidade de me tirar da cama. Fazer um programa ao vivo exigiu mudanças na minha rotina diária. Durmo cedo, por volta das 21h, 22h. É chato às vezes porque ninguém quer fazer um programa às 19h, todo mundo sai de casa às 22h. Se exagero um pouco no dia, durmo mais no dia seguinte, mas faço programas para quem tem de acordar cedo no dia seguinte.
Qual foi o mais momento mais marcante nesses anos de Mais Você?
Acho que foi a união da equipe que mais me orgulhou quando eu anunciei no ar que estava com câncer. Foi a maior manifestação, a mais emocionante, demonstração de carinho que eu podia receber. Não era um desafio meu só, eram 60 pessoas que dependiam da minha saúde.
Você ainda pensa no câncer?
Penso nisso todos os dias para não esquecer. Acredito que a gente só está vivo porque Deus quer. Todo dia merece ser vivido com a maior intensidade do mundo. É verdade.
E como é chegar aos 55 anos de idade?
Não me sinto com 55 anos. Sou bonita, gostosa, cheirosa, tenho um namorado lindo, dois filhos maravilhosos e um emprego que todo mundo gostaria de ter. Eu me acho bonita, me olho no espelho e gosto do que vejo todas as manhãs. Uma mulher de 55 anos antigamente era uma matrona: a cabeça não andou, deformou o corpo. Eu jogo videogame com meus filhos. A perspectiva hoje em dia é que a gente consiga viver até os 150 anos.
Como mantém a boa forma?
Não tenho nenhum cuidado comigo. Até fumo. Eu vou a minha dermatologista a cada seis meses, deixo um carro para ela cada vez que vou lá. É caro para caramba. Dermatologia é mais caro que cirurgia. Tem que investir. Fora isso, tenho uma alimentação equilibrada, não gosto de comer durante o trabalho. Você só vai me ver tomando café, água e suco enquanto estou trabalhando. Quando acabo, como uma fruta. Eu tenho um bom metabolismo.
Você se preocupa em ser uma referência para as pessoas?
Outro dia uma moça me parou e disse. "Ana, você não vai mais cortar o cabelo? Estou perdendo a referência! Se você deixar crescer, vou ter de deixar também", disse ela. Eu acho ótimo que as pessoas me copiem. Se eu separo muito e as pessoas resolverem me copiar para tentar uma nova vida, eu vou achar maravilhoso. Quando não está bom, eu me mando. Eu não tento ser referência para ninguém, vai mudar quem tem aquilo dentro de si e se espelhou em mim.
Como é a Ana Maria Braga empresária?
Tudo tenho sem tempo. Eu só faço as coisas que eu consigo cuidar. Parece que eu tenho muitos produtos licenciados, mas não é não. Eu não tenho muita coisa não. Eu controlo todas e cuido todos os dias. Tenho muita coisa no mercado editorial, sei e conheço este mercado, mas também tenho café, por exemplo.
Quais são seus planos para daqui a seis meses?
Não tenho essa programação toda. Teve um investimento alto da Globo no estúdio 360º do Mais Você, é o primeiro programa assim de toda a América Latina. A gente tem um orçamento para cumprir, mas no segundo semestre teremos uma folga, quero investir em programas temáticos. Já fomos para o Sul, agora queremos ir para o Norte, Nordeste.
E seus planos pessoais?
Quero um programa de auditório. Não vou parar de falar isso enquanto não ganhar um, Ainda não apresentei um projeto formal, mas a emissora sabe desta minha vontade. No mais, quero aproveitar cada minuto desta vida como se fosse o último. Acorda, menina!
|