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Gente & TV
Domingo, 11 de janeiro de 2009, 13h38 
Manoel Carlos reconta a história de Maysa em minissérie rebuscada
 
Mariana Trigo
 
Divulgação
Larissa Maciel é protagonista de minissérie Maysa
Larissa Maciel é protagonista de minissérie Maysa
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A minissérie Maysa - Quando Fala o Coração é uma exaltação ao eterno feminino. Diante da voz grave, dos altos e baixos de uma carreira internacionalmente bem-sucedida, um casamento fracassado, intensas paixões e da rejeição aos bons modos e costumes de décadas passadas, o diretor Jayme Monjardim não homenageia apenas sua mãe Maysa nesta produção.

Aliado ao texto de Manoel Carlos, cria principalmente uma identificação com uma pluralidade de mulheres vanguardistas, que sempre conciliaram e lutaram por carreiras, amores, combateram preconceitos e chegaram a queimar sutiãs em fogueiras. Cada negativa da personagem às tradições da família quatrocentona do marido André Matarazzo, de Eduardo Sermejian, identifica sua personalidade à frente de seu tempo.

A atitude libertária está presente em cada enquadramento com close, em cada diálogo, em cada densidade do olhar sôfrego e da voz rouca da personagem, impecavelmente interpretada pela estreante na TV, Larissa Maciel.

Com uma dedicação explícita, a atriz despiu-se de cada véu ao apresentar o comportamento intempestivo da cantora - antes exaltada principalmente pelas canções de fossa -, e traduziu toda sua impetuosidade numa releitura admirável. Com uma interpretação ajustada, sob medida para os altos e baixos de Maysa.

O mergulho no material mais íntimo da cantora, como seus diários, permitiu uma composição intensa, refletida em cenas de quase simbiose entre a atriz e a personagem em gestos e trejeitos.

Mérito também da cuidadosa caracterização de Fernando Torquato. Diante das minúcias da produção, como detalhes de produção de arte, figurino e cenografia, o zelo na reconstituição de cada década foi feito com o mesmo esmero com o qual as locações foram escolhidas, como o Palácio Guanabara e o Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o Hotel Quitandinha, em Petrópolis, e a própria casa da cantora em Maricá, na Região dos Lagos fluminense, entre outros.

Uma profusão de cenas externas trouxe a credibilidade necessária à história, que estreou com a satisfatória média de 30 de audiência com 46% de participação. Mérito principalmente de Manoel Carlos, que com seu roteiro nada linear da trajetória de Maysa, suas idas e vindas cronológicas no folhetim, permitiram um dinamismo que não chegou a cair num enfadonho didatismo.

Nem mesmo na narração da trama pela protagonista e na inserção de frases e pensamentos da própria cantora nos diálogos. Mas o que salta aos olhos é o saudosismo de tons quentes de Jayme Monjardim, que mesclou sua direção com as pinceladas de cores fortes da direção de fotografia do craque Affonso Beato.

Destaque para as seqüências na Europa, as inserções de imagens e a exaltação dos matizes cálidos para destacar o período de êxito da carreira da cantora. Da mesma forma, para marcar com sensibilidade sua decadência ao rodar as cenas de declínio de Maysa, evidenciando os tons pastéis nessas tomadas. Nesta gangorra de emoções, algumas atuações estreantes se destacam.

É o caso de Eduardo Semerjian, por exemplo, como o contido e apaixonado aristocrata André Matarazzo. Ou mesmo uma das maiores paixões da vida da cantora, o compositor Ronaldo Bôscoli, vivido por Mateus Solano. Tudo embalado por uma trilha sonora de gravações originais da cantora, com canções conhecidas na voz de Maysa, como Ne Me Quitte Pas, Ouça e Meu Mundo Caiu, entre outras.
 

TV Press
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