| Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias/TV Press |
 Camila Pitanga comanda Som Brasil |
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Só faltaram ondas quebrando na beira do palco do Som Brasil em homenagem a Dorival Caymmi. Canções entoadas por quatro vertentes absolutamente distintas da MPB exaltaram a obra do baiano que assinou em mais de 100 canções declarações de amor à Bahia.
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Na produção, a família Caymmi dividia as atenções com o Grupo Moinho, Zeca Baleiro e Margareth Menezes. Mas, no tablado do clã Caymmi, o clima não podia ser mais familiar. Nana Caymmi com os irmãos Dori e Danilo, se derretiam pela mais nova voz da família, Alice Caymmi. Aos 18 anos de idade, Alice impressionou durante o especial que vai ao ar no próximo dia 19, depois do Globo Repórter.
O visual adolescente da cantora se esvaiu quando a filha de Danilo entoou as primeiras notas de Nem Eu, uma das canções clássicas do compositor, ator e pintor, que morreu em agosto passado, aos 94 anos. A voz grave de Alice, parecida com a da tia Nana, arrancava cochichos de todos. "Caramba! Que vozeirão é esse? Deve ser de família mesmo", espantava-se Camila Pitanga, convidada para substituir Letícia Sabatella na apresentação do programa.
Nesta homenagem, pela primeira vez os músicos convidados do Som Brasil tiveram uma participação temática. Em cada um dos quatro palcos, os respectivos artistas interpretavam vertentes diversas da obra do compositor.
Zeca Baleiro, por exemplo, exaltou com novos arranjos as mulheres das canções de Caymmi, como Dora e Marina. Margareth Menezes celebrou em sua voz rouca e afinada todas as marolas do mar tão cantado pelo músico, como Morena do Mar. O Grupo Moinho, por sua vez, sublimou a Bahia em canções como Vatapá. Mas foi a família Caymmi, que se comportava com toda a propriedade de quem era a dona da festa, que entoou as músicas de temas variados, como Só Louco, numa interpretação emocionada de Nana Caymmi.
"Essa divisão nos permitiu uma visão mais geral da obra dele. Principalmente com novas gerações de músicos que revisitam essas canções", ressaltava o diretor Luiz Gleiser.
No final dos exaustivos ensaios e no começo das gravações, a brisa leve da terra do axé já parecia ter contagiado os ânimos. Até os cinegrafistas, que se dividiam em cinco câmaras, arriscavam cantarolar. Mas bastou Margareth Menezes dançar e rodopiar ao som de um ponto de macumba, para que todos ficassem em silêncio e esperassem que ela soltasse a voz. "Maravilhoso, Margareth! Mas acho que aqui desse lado tem marmanjos demais, não?", observava Gleiser, mudando rapidamente de assunto, de olho no enquadramento de parte da platéia.
Poeta popular e descendente de italianos, Caymmi era reverenciado a cada novo acorde dos convidados e ficou claro que sua obra ainda influencia as novas gerações de músicos. "Caymmi é a grande inspiração do nosso trabalho. Muitas dessas canções nós interpretamos nos shows", explicava Emanuelle Araújo, vocalista da carioca Banda Moinho, que também é composta pela percussionista Lan Lan e pelo guitarrista Tony Costa.
A intenção do programa em homenagear Dorival Caymmi já existia antes mesmo da produção musical estrear. "Pena que ele não veio para cá enquanto estava vivo", lamentava Gleiser. Com este 18º programa gravado desde a estréia da produção, o diretor pensa em lançar uma série de DVDs com todas as edições do Som Brasil.
"Estamos fazendo um retrato da MPB com uma releitura das novas gerações de artistas. Para 2009, pretendemos homenagear também Tim Maia, Renato Russo e intérpretes soberanos, como Maria Bethânia", adianta.
Som Brasil - Globo - Sexta, dia 19, depois do Globo Repórter.
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