| Luiza Dantas/ Carta Z Notícias/TV Press |
 Karina Anhê é destaque em Negócio da China |
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Karina Anhê teve de driblar várias vezes os pais para se tornar atriz. Com um olhar desconfiado e de poucas palavras, a intérprete da secretária Fátima, em Negócio da China, precisou de fôlego de atleta para conseguir estrear na carreira. Como morava em Araçatuba - no interior de São Paulo - com os pais advogados e muito tradicionais, sua primeira alternativa para ser atriz foi pegar a contramão: concordou em fazer faculdade de uma carreira "convencional".
» Leia o resumo de Negócio da China
Decidiu se inscrever em Medicina e, dessa forma, agradou a família. Em contrapartida, disse que queria cursar a universidade no Rio de Janeiro. Os pais relutaram, mas ela conseguiu. Acabou sendo aprovada no vestibular e se mudou de mala, cuia e sonhos de pisar nos palcos cariocas. Tanto que sua primeira iniciativa foi se matricular na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras. "Parecia um urso panda de tanta olheira. Fazia Medicina o dia inteiro, depois ia para a CAL e, bem tarde, para a academia. Vivia exausta", lembra.
Mas a saga pela carreira começou a funcionar. Como as aulas na CAL, passaram a ficar em segundo plano por causa das disciplinas do quinto período da faculdade, Karina ligou para os pais com um argumento convincente. "Pedi para trancar a faculdade por apenas seis meses porque estudava na Baixada Fluminense e estava começando a ficar perigoso passar por tiroteios de vez em quando", sustenta, séria. Mas logo mostra os dentes brancos num sorriso ao lembrar que os pais apoiaram a decisão. Dois anos depois e sem sinais de regresso à faculdade de Medicina, a paulista de apenas 24 anos comemora a decisão.
Karina começou a freqüentar diversas peças teatrais e a conhecer pessoas envolvidas com a profissão no Rio. Logo foi apresentada a Miguel Falabella, que a chamou para fazer o papel da secretária do malandro Mauro, o advogado vivido por Oscar Magrini. Como o personagem trai a mulher Joelma, vivida por Vera Zimmermann, Fátima logo começa a se envolver não só com as falcatruas do chefe no escritório, mas também com suas armações pessoais. "Nem precisei fazer testes", comemora, fazendo biquinho. Foi a deixa que a atriz precisava para se afastar de vez do curso de Medicina.
A obstinação de Karina durante esse período foi evidente. Para exterminar de vez o arrastado sotaque paulista, que ressalta muito os "erres", a atriz aproveitou cada detalhe das sessões de fonoaudiologia das aulas na CAL. "Eu falava 'poirrta' mesmo. Sabia que se não resolvesse isso, não iria a lugar nenhum.
Consegui tirar o sotaque em poucos meses com exercícios específicos", festeja a atriz, que completa seis anos no Rio.
Nesse período, conseguiu atuar em peças de destaque na CAL, em montagens de clássicos como A Gaivota, de Anton Tchekhov, e Laranja Mecânica, do romancista Anthony Burgess, entre outras. Paralelamente, Karina assegura que não se descuida da alimentação equilibrada e da rotina exaustiva de exercícios físicos para manter seus 59 kg distribuídos em 1,72 m de altura.
Para isso, pratica uma série puxada de musculação quatro vezes por semana, corre na praia e se entrega às sessões de drenagem linfática duas vezes por semana. Para completar o cardápio de vida "natureba", Karina nunca bebeu refrigerante na vida e jura que só digere alimentos integrais, saladas, grãos e muitas frutas. "Gosto de ser saudável. Isso é fundamental para ter um corpo no lugar e dar certo nessa carreira. Estou no caminho certo. Às vezes me surpreendo: 'cara, olha só onde já cheguei!'", espanta-se.
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