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Três Irmãs
Domingo, 12 de outubro de 2008, 08h58  Atualizada às 08h58
"Fama de galã faz bem para o ego", diz Marcos Palmeira
 
Gabriela Germano
 
Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias/TV Press
Marcos Palmeira fala sobre carreira
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O correto, saudável e romântico surfista Bento, de Três Irmãs, não é, nem de longe, o primeiro boa-gente charmoso que Marcos Palmeira encarna na TV. "É o heroizinho da história", define o ator, sem desmerecer o seu personagem na novela de Antonio Calmon.

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De gestos contidos, bem tranqüilão, o ator não nega que já foi rotulado como tipão carioca no início da carreira, depois de rústico por seus personagens mais rurais e devido às novelas mais recentes agora é visto como o mocinho romântico. E até pela maneira como conduz sua vida, Marcos confirma que muitos o vêem como o cara bonzinho e têm dificuldades de enxergá-lo fazendo um vilão em um folhetim.

"Mas isso não é problema. O que me pauta é o prazer que cada novo personagem pode me trazer. Vivo um bom momento na carreira e o vilão virá", resume.

O momento positivo da carreira não se refere só à novela das sete da Globo. Marcos protagoniza a série Mandrake que terá continuidade na HBO, apresenta o programa sobre índios Auê, na TV Cultura, viaja com uma peça teatral pelo país, lança três filmes este ano e ainda cuida de sua fazenda de produtos orgânicos, no interior do Rio. Nunca pensou que em meio a todas essas atividades, no entanto, fosse sentir saudades da repercussão que um folhetim traz.

"Sempre achei estranho um ator falar que o seu público dizia estar com saudades. Mas comecei a ouvir isso nas ruas e achei muito bom", confessa Marcos.

Confira a entrevista com o ator:

Você já disse em entrevistas que foi rotulado como o tipo carioca no início da carreira, depois de caipira quando passou a fazer personagens rústicos e agora é visto como o galã romântico por seus últimos papéis. Esses rótulos incomodam?
Acho que não, mesmo porque eles estão mudando. A garrafa envolvida por esse rótulo é boa. Para mim nunca é simples fazer um personagem novo, é sempre difícil. Cada vez mais eu me pauto pelo prazer de fazer determinado papel, por me sentir à vontade com o trabalho. E é o que acontece agora em Três Irmãs. Quando a gente faz uma novela sabe que pode ser criticado, como eu também critico. É um comentário sobre o cabelo, a barriga, a camisa. Mas a questão do rótulo acaba passando meio batida para mim, mesmo porque o rótulo de galã faz muito bem para o meu ego.

O Bento de Três Irmãs se reúne a uma porção de galãs como o Fernando, de Celebridade, e o Gilberto, de Belíssima, seus folhetins mais recentes. Não são galãs demais para um ator que já afirmou se achar sem graça e sem glamour?
Mais uma vez estou ligado à imagem do cara romântico. Mas eu não me apego à figura estética do galã. Mesmo porque em Três Irmãs há atores como o Paulinho Vilhena e o Rodrigo Hilbert que cumprem muito melhor essa função. É mais um bonzinho, é verdade. Mas nem por isso é um personagem que me deixa engessado, porque é muito bom de fazer. É o herói da história, politicamente correto, gente fina, ligado às questões ambientais. O Bento é um cara que tem uma horta orgânica em casa.

Semelhanças do personagem com o seu jeito de ser, nesta novela, não parecem ser uma mera coincidência...
É interessante essa linha que aproxima o personagem de mim. Também tenho o meu trabalho com hortas na fazenda, o programa que apresento na TV Cultura sobre índios, chamado Auê. Sou um cara antenado e acho que o Bento também tem isso. Não consigo viver no meu mundinho à parte, sem me importar com tudo e todos que estão ao redor de mim. E o personagem também tem esse lado de se envolver com a comunidade, vai lutar pela dignidade de Caramirim. Mas o fato da realidade do Bento se aproximar da minha não facilita e nem dificulta o trabalho. Afinal, é uma outra figura que aparece na história e não o Marcos Palmeira.

Por essa imagem que você passa o mais difícil mesmo é ser chamado para fazer um vilão em uma novela? Pois você já disse que ainda não surgiu um grande vilão em sua carreira...
É claro que eu gostaria de fazer um grande vilão, oposto a tudo isso que tenho feito. Na verdade cheguei próximo disso com o Cirino, de Memorial de Maria Moura. Mas foi um trabalho pequeno. Um vilão escrito por Gilberto Braga é sempre rico e interessante. Seria um ótimo exercício para mim e acho que ainda tenho esse caminho a seguir.

É frustrante a essa altura da carreira ainda não ter feito um mau-caráter?
Acho que isso vai acontecer naturalmente e não tenho frustrações na carreira. Muito pelo contrário. Tenho a oportunidade de estar em uma novela e ao mesmo tempo viajar pelo Brasil com a Adriana Esteves na peça Virgolino e Maria - Auto de Angicos. Ainda tenho a série Mandrake, na HBO, com mais 13 episódios confirmados. Estou sempre trabalhando e não poderia me sentir frustrado se pensarmos na realidade do país. Mesmo com todas as crises do cinema brasileiro, estou em três filmes que vão ser lançados ainda este ano. A Mulher do Meu Amigo, do Cláudio Torres; Bela Noite para Voar, do Zelito Vianna - pai do ator - e Quase um Tango Argentino, do Sérgio Silva, feito no Rio Grande do Sul. Aliás, nesse longa eu faço um gaúcho, com sotaque e tudo, o que pode marcar o fim da minha carreira (risos). Mas voltando a falar sério, nem daria tempo de me frustrar fazendo tudo isso.

Por falar em filmes, você já disse que se pudesse só faria cinema. É o que te dá mais prazer?
É. O cinema sempre esteve dentro da minha casa. O apartamento em que a gente morava, em Copacabana, faz parte do cinema brasileiro por causa do meu pai. O apartamento da minha avó está nos filmes do Glauber Rocha. Se realmente houvesse mercado, adoraria me dedicar a isso. Mas não temos uma política cultural definida. Não adianta ter dinheiro apenas para fazer um filme. É preciso ter grana para lançar, manter as salas de exibição. Eu até tenho vontade de dirigir. Acho que tenho uma boa noção de câmara, do estúdio. Mas essa história de precisar batalhar por grana desanima um pouco. Mas a hora em que tiver uma boa história nas mãos, vou correr atrás. Cada vez mais tenho o desejo de lidar com os atores. Acho que me daria bem nesse universo.

E como é ser dirigido pela sua mulher, Amora Mautner, na novela?
É ótimo. Ela já tinha me dirigido várias vezes antes de a gente ficar junto. A Amora é uma diretora muito criteriosa e até estou sentindo falta dela me dirigir mais nesse trabalho. Mas nesse sentido, estamos bem cercados na novela por todos os diretores.

Além de Três Irmãs, você está atualmente na reprise de Pantanal, no SBT. O que você achou da polêmica em relação aos direitos conexos dos atores devido à exibição da novela?

O Silvio Santos é aquele cara que coloca e tira tudo o que quer do ar. Acho que nessa história faltou um pouco de união da classe. De todo mundo se juntar e tomar uma decisão coletiva. Parece que cada um ficou resolvendo a sua questão. Mas de qualquer forma estou adorando a oportunidade de poder ver a novela de novo. Foi um encontro especial. A turma toda acordava cedo, tomava café naquele mesão de fazenda. E todo mundo acabou incorporando os personagens. Ou ficávamos o dia todo andando a cavalo, ou tomávamos banho de rio. Aconteceu um negócio engraçado porque só nos tocamos de que não havia televisão lá por causa da Copa do Mundo. Resolvemos fazer uma greve porque queríamos acompanhar os jogos. Aí colocaram uma parabólica lá e ainda bolaram uma cena para a novela, da antena chegando ao Pantanal. Essa novela traz grandes lembranças. Foi um sonho.

Limites desconhecidos
Quando foi convidado para estrelar a série Mandrake, produzida pela HBO desde 2005, Marcos Palmeira encarou o trabalho como mais uma boa experiência. "Era uma linguagem diferente, uma série filmada em película com todo o cuidado, algo novo no Brasil. Mas de repente vingou", diz o ator em tom de comemoração.

Na história, escrita por José Henrique Fonseca, Felipe Braga e Tony Belloto, baseado no livro de Rubem Fonseca, Marcos interpreta o detetive que dá nome à série. Ele se insere na alta classe e no submundo carioca para resolver os problemas de seus clientes, além de estar sempre cercado de belas mulheres. Uma nova temporada está confirmada para 2009 e a série já faz sucesso internacionalmente. "Mandrake é uma das séries mais vistas nos Estados Unidos. É bom ver uma produção latina furar o mercado americano", valoriza o ator.

O sucesso além das fronteiras brasileiras parece empolgar Marcos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de investir em uma carreira internacional, ele não nega que um bom convite seria tentador. "Se for algo interessante artisticamente, é legal universalizar meu trabalho", defende. Mas ele vai logo lembrando que as novelas já cumprem bem o papel de levar o trabalho dos atores para os mais distantes países. "É incrível ser conhecido no Uzbequistão, na Irlanda, por meio das novelas mais bem feitas em todo o mundo", exagera.

Outras produções
Marcos Palmeira também é produtor. De verduras, legumes, frutas e laticínios na Fazenda Vale das Palmeiras, que mantém há mais de 10 anos na Região Serrana do Rio de Janeiro. Em todo esse tempo, o ator se tornou um empresário da área de produtos orgânicos e vende os mais de 60 itens produzidos em sua propriedade para uma rede de supermercados carioca.

Em casa, ele também se tornou um consumidor desse tipo de alimento. "A minha saúde é o que me equilibra para tudo o que faço na vida", afirma Marcos que, pelo trabalho que realiza, é visto como um profissional engajado nas causas ambientais e defensor de um estilo saudável de viver.

Mas o ator prefere defender a bandeira do modo natural de levar a vida. Até por saber dos excessos que não raramente marcam o mundo artístico. "Nunca senti preconceito por parte dos meus colegas. Até porque tomo o meu chope também. De vez em quando eu fico até de porre", confessa.

Trajetória Televisiva

# Vale Tudo (Globo, 1988) - Mário Sérgio.
# Pantanal (Manchete, 1990) - Tadeu.
# Desejo (Globo, 1990) - Solon.
# Amazônia (Manchete, 1991) - Lúcio/Caio.
# Renascer (Globo, 1993) - João Pedro.
# Memorial de Maria Moura (Globo, 1994) - Cirino.
# Irmãos Coragem (Globo, 1995) - João Coragem.
# Salsa e Merengue (Globo, 1996) - Valentim.
# O Amor Está no Ar (Globo, 1997) - Carlos Henrique.
# Torre de Babel (Globo, 1998) - Alexandre Toledo.
# Andando nas Nuvens (Globo, 1999) - Chico Mota.
# Porto dos Milagres (Globo, 2001) - Guma.
# Coração de Estudante (Globo, 2002) - Júlio Rosa.
# Esperança (Globo, 2002) - Zequinha.
# Celebridade (Globo, 2003) - Fernando.
# Belíssima (Globo, 2006) - Gilberto.
# Mandrake (HBO, 2007) - Mandrake.
# Três Irmãs (Globo, 2008) - Bento.
 

TV Press
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