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Três Irmãs
Domingo, 21 de setembro de 2008, 16h06  Atualizada às 11h33
'Três Irmãs' resgata referências dos anos 80 e exalta o surfe
 
Mariana Trigo
 
Divulgação
Cláudia Abreu, Carolina Dieckmann e Giovanna Antonelli são protagonistas em Três Irmãs
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Antônio Calmon parece ter retomado a estética dos anos 80 para escrever Três Irmãs. O autor, que no início daquela década começou a mostrar sua fixação no surfe com longas como Menino do Rio e Garota Dourada, agora se debruça sobre a mesma temática com outras alusões à época.

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Em meio às cenas cinematográficas das ondas em Bali e uma bem-acabada cidade cenográfica, personagens leves e com um perfil muito descontraído dão à novela o mesmo tom da série Armação Ilimitada - também assinada por ele - com uma profusão de Jubas e Lulas. No embalo, canções como Meu Erro, de Herbert Vianna, e Maior Abandonado, de Roberto Frejat e Cazuza, sucessos dos anos 80, entregam a intenção "déjà vu" e pouco vanguardista de Calmon.

No entanto, as tomadas aéreas e "takes" inusitados chamam a atenção para a lente do diretor Dennis Carvalho. Apesar de sempre ter realizado trabalhos pouco autorais, Dennis define uma assinatura dinâmica e inusitada que, por vezes, surpreende. Mas o maior assombro da trama é o elenco de peso que muitas novelas do horário nobre não dispõem, como a volta de Cláudia Abreu para a faixa das sete. A atriz, que desde a emblemática Que Rei Sou Eu? não atuava neste horário, já diz a que veio com a fútil Dora, entremeada de peruíssimas expressões em inglês. Sua dobradinha com a vilã Violeta, de Vera Holtz, promete ser um dos pontos altos da história. Vera, aliás, não chega a disfarçar sua inspiração no visual da diabólica personagem de animação Cruela Cruel, de Os 101 Dálmatas.

O público infantil parece ser um dos mais cobiçados pela produção, uma novela das seis com características de novela das sete, para esticar a exibição em decorrência do horário de verão. Com um time de vilões com humor pastelão e maniqueísta, como Vidigal, de Luís Gustavo, e Chuchu, de Otávio Augusto, em poucas cenas já dá para perceber a rasteira profundidade de Sessão da Tarde que a história imprime. Por vezes pueril, a trama mostra de leve um humor mais refinado através do personagem Glauco, de Guilherme Piva. Através do dono da funerária que quase vai à falência porque ninguém morre em Caramirim, Calmon faz uma homenagem a Dias Gomes com o lendário personagem Odorico Paraguaçu, de O Bem Amado, vivido por Paulo Gracindo.

Os diálogos, porém, são o que mais deixam a desejar. Não só pela profusão de gírias de surfistas, mas todo o texto ainda necessita de ajustes para, além do bom elenco, ser um atrativo para os mais velhos. Os meninos dos mares, como Rodrigo Hilbert, na pele do Gregg, e Paulinho Vilhena, como Eros, estão em seu habitat natural. Ambos têm personagens que não exigem deles nada mais que algumas manobras nas pranchas. Fora isso, basta se auto-interpretarem ao balbuciar o dialeto das ondas.

Já Carolina Dieckmann, na pele dourada da surfista Suzana, e Giovanna Antonelli, como a ginecologista Alma, prometem atuações de destaque. Em sua primeira personagem de humor, Giovanna demonstra o "timing" correto para a destrambelhada médica. Apesar de atuações promissoras, a história também apresenta interpretações pouco criativas. Solange Couto, por exemplo, como a despachada Janaína, ainda não se livrou dos trejeitos escrachados da eterna Dona Jura, de O Clone. Roberto Bonfim, por sua vez, mostra sempre ser um ótimo ator com Pacífico. Mas de um personagem só que se repete a cada novela.

Da crista da trama, dá para perceber a intenção da emissora em produzir uma história que tenha poucas chances de errar no horário. O que pode ser o maior de todos os equívocos, pois apresenta uma história muito homogênea. Com uma trama solar, atrativos para diversas faixas etárias, o mote do início da temporada de altas temperaturas e vilões divertidos, faltou o algo mais, a surpresa que costuma perpetuar o êxito de algumas novelas. Mas pode ser que a voz rouca de Mart´Nália deslizando pela letra da canção Don´t Worry, Be Happy, seja um prelúdio de uma audiência crescente, que começou com 33 pontos de média e 40 de participação na estréia.

Três Irmãs - Globo - Segunda a sexta, às 19h15min.
 

TV Press
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