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Domingo, 10 de agosto de 2008, 11h48  Atualizada às 11h48
'Casos e Acasos' não consegue fugir dos clichês
 
Mauro Trindade
 
Divulgação
Grazi Massafera fez papel de interiorana em  Casos e Acasos
Grazi Massafera fez papel de interiorana em Casos e Acasos
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Contar três histórias em cinquenta minutos - com os créditos e os anúncios - requer bons enredos e uma edição precisa. Casos e Acasos, que a Globo apresenta às quintas-feiras à noite, tem um pouco disso tudo. Mas quase nunca consegue fugir do clichê.

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A razão para o abuso dos lugares-comuns é bastante simples. Para descrever um argumento em tão pouco tempo, é preciso deixar claro qual é o seu assunto logo nos primeiros instantes. E nada como uma situação conhecida para facilitar o entendimento do espectador.

Então é comum que essas pequenas comédias da vida pública girem em torno de situações mais ou menos batidas: o que se passa numa despedida de solteiro, as conseqüências de uma roupa rasgar acidentalmente, a gravidez de uma empregada doméstica com o dono da casa, o namoro entre funcionários de uma mesma empresa, o desaparecimento de uma criança, o que houve durante uma bebedeira, o reencontro de velhos amantes - ao lado dos novos parceiros - e por aí vai. Esse é o universo no qual transitam as histórias de Daniel Adjafre e Marcius Melhem.

Há algo em Casos e Acasos que aparece inspirado nos velhos filmes italianos de episódios dos anos 60 e 70, como Boccaccio 70, As Rainhas e mesmo as comédias do grande diretor Mario Monicelli. Não é coincidência que a música-tema do seriado evoca o compositor Nino Rota. Em comum, o mesmo ambiente urbano daquelas histórias assinadas por Fellini, Bolonigni e outros mestres. E as mesmas tramas cotidianas com os problemas comuns a todos os mortais.

A necessidade de resumir a história com tanta velocidade naturalmente limita o desenvolvimento dos personagens. Mas as qualidades físicas e histriônicas dos atores sustentam a escassez de uma dramaturgia mais adensada. Caso de Letícia Spiller, como uma mulher enlouquecida por ciúmes, ou Grazi Massafera, no óbvio papel de uma linda interiorana.

Mesmo sem o abrir e fechar de portas que fez a fortuna do teatro vaudeville, também há algo dessa velha comédia de costumes em Casos e Acasos. Ambos dependem do mal-entendido e de uma certa incapacidade de comunicação entre as pessoas para que surjam os conflitos cômicos e suas soluções. A graça está em descobrir que nem tudo é o que parece. A dificuldade da série acontece onde o teatro acerta: no tempo do humor, que precisa de um "timing" para acontecer. E isso não surge ao acaso.

Casos e Acasos - Globo - Quinta, às 22:45h.
 

TV Press
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