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Domingo, 27 de julho de 2008, 11h04  Atualizada às 11h03
"Me arrependo de ter me afastado da música", diz ator
 
Paula Coutinho
 
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/TV Press
José Rubens Chachá atua em  Ciranda de Pedra , da Globo
José Rubens Chachá atua em Ciranda de Pedra, da Globo
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José Rubens Chachá chega a ser tão engraçado quanto seu personagem em Ciranda de Pedra, o Seu Memê. Na trama das seis, o ator vive um atrapalhado cabeleireiro do núcleo cômico, apaixonado pela mulher e odiado pela sogra. "Ele se acha um grande cientista capilar. Só que em busca do tom loiro platinado ele faz muitas burrices. Mas continua sendo ético porque testa os experimentos nele, não sai por aí tingindo os outros", explica.

» Leia o resumo da novela Ciranda de Pedra

Mas o lado histriônico do ator não serviu somente para compor as expressões faciais do Seu Memê. Chachá acredita que, ao usar o humor, acabou interpretando o homem moderno.

"Quis representar alguém à frente do seu tempo e muito vaidoso. Meu personagem aceita a gravidez da filha sem a recriminar, em uma época que ser mãe solteira era um absurdo".

Seguindo a linha do humor, José Rubens Chachá está em cartaz com a peça O Mala, texto original do escritor norte-americano Larry Shue, em São Paulo. Além disso, pretende gravar um disco com as músicas de Bertolt Brecht.

"Comecei a minha vida artística cantando e me arrependo de ter me afastado da música. Às vezes, penso que seria mais divertido", brinca.

Confira entrevista com Chachá:

Como foi a composição do Seu Memê? Esse personagem seria um precursor do homem contemporâneo, quase um metrossexual?
Procurei fazer o Seu Memê um personagem até a frente do seu tempo. Tive muita liberdade para inventar e criar a composição do personagem. Digo que ele é o avô da geração metrossexual. Na trama, ele implanta um tipo de vaidade na Vila Mariana, em que homem faz unha, pinta cabelo e usa laquê. Como profissional, ele também representa essa modernidade. Ao combinar salão de beleza e barbearia, ambientes que geralmente não se misturavam, representa o crescimento de São Paulo.

Também considero que ele é progressista em relação às idéias familiares. A Elzinha, vivida por Leandra Leal, filha mais velha dele, fica grávida e tem uma filha sem se casar. Mas na trama, Seu Memê continua tratando-a com o maior carinho, respeito e admiração. Sem preconceitos, acolhe filha e neta.

Você acha que a receptividade do Seu Memê com o público venha do fato de ele estar em um núcleo cômico?
Acho que o fato de o Seu Memê estar em um núcleo cômico ajuda na composição do personagem e também na aceitação com o público. Mas acredito que aquela família da Vila Mariana é quase um oásis dentro da novela. Enquanto a família dos ricos sofre problemas incríveis de relacionamento e de filhos que não se dão com os pais; a dos pobres consegue ser feliz e harmônica. Isso faz com que o público se identifique.

Um de seus últimos trabalhos foi em Malhação, uma novela adolescente. Agora você está fazendo uma trama que se passa no início da década de 50, em São Paulo. Você se identifica mais com personagens contemporâneos ou com personagens de época?
Gosto das duas linguagens. Aprendi muito com Malhação. Acho que os jovens nos ensinam muito porque não têm vícios, ainda não estão calejados com a profissão. Não digo que o elenco de Malhação fosse 100%, mas tinham atores novos interessantes, foi prazeroso, me diverti muito. E os diretores dizem que nós - do elenco adulto - temos o papel de ser meio que professores desses jovens, de darmos o exemplo.

Agora, em relação aos papéis de época, acho que a dramaturgia tem obrigação de ambientar outras épocas, porque é um diferencial riquíssimo. Hoje, as pessoas estão cansadas do cotidiano, do trânsito, da poluição sonora. De repente, você poder ligar a TV e ver outros tempos, é um alívio. O Brasil era lindo nos anos 50, não tinha essa violência, as pessoas eram quase ingênuas.

Você já fez vários trabalhos para crianças, como o Sítio do Picapau Amarelo e a TV Colosso. Você se identifica com esse público?
Esses trabalhos são muito gostosos porque a criança tem uma abertura para novidades e para fatos absurdos que o adulto não tem. O adulto pensa que determinadas coisas não podem acontecer, então acaba limitando a própria imaginação para ver o fantástico, o impossível. No Sítio do Picapau Amarelo, assim como na TV Colosso, tive liberdade para criar.
 

TV Press
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