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Gente & TV
Quinta, 24 de julho de 2008, 11h39  Atualizada às 11h45
Meses fora do ar, 'Heroes' volta sem histórias da trama inicial
 
Bill Carter
 
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Quando a mais importante série no horário nobre da rede de TV NBC voltar ao ar, em 22 de setembro, ela terá passado nove meses fora do ar. O criador de Heroes, Tim Kring, só pode esperar que isso não tenha levado alguns dos mais apaixonados fãs da televisão a esquecer seu seriado favorito.

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"Uma certa ausência pode ser benéfica", disse Kring, mencionando outros programas "com jeito de eventos", como Família Soprano, que sempre se recuperou dos longos intervalos entre suas temporadas.

Nos meses recentes, "os telespectadores viram muita coisa na TV que não tem a qualidade de Heroes, e creio que estarão ansiosos por retomar a série."

Os executivos da NBC certamente têm a mesma esperança. Heroes é o maior sucesso da rede, e Ben Silverman, co-presidente do conselho da NBC Entertainment, apontou que "é um patrimônio mundial", distribuído a diversas cadeias de TV em todo o mundo. Mas, para um seriado relativamente novo e de sucesso, a trajetória de Heroes vem sendo incomumente pedregosa, um fato agravado pela temporada truncada do ano passado e pelas reações dos telespectadores dedicados.

"A faca de dois gumes de nossa base de fãs é que eles são apaixonados pela série", disse Kring. "E essa paixão pode ser boa ou ruim. Pode se inclinar a nos ver como a melhor coisa que já assistiram ou a considerar que nós os decepcionamos."

No começo da temporada passada, decepção parecia ser o sentimento dominante, como reconheceu Kring em uma entrevista, em novembro, pouco depois que a produção do seriado terminou cortada abruptamente devido à greve dos roteiristas que paralisou Hollywood. Ele mencionou diversos enganos, então, entre os quais acrescentar personagens demais, enfatizar demais o lado romântico, e deixar um dos personagens favoritos da trama, Hiro, por tempo demais no Japão medieval.

Em entrevista no hotel Chateau Marmont, Krings, que apareceu acompanhado de Katherine Pope, a presidente do estúdio NBC Universal, produtor da série, mostrou entusiasmo quanto à nova temporada, ou "volume", como ele prefere. (Heroes vem sendo definida na linguagem dos quadrinhos desde que entrou no ar).

O novo volume, que será composto por 13 episódios, leva o nome Villains (vilões) e se concentrará em uma única história central, disse Kring, e basicamente no núcleo central de personagens. Isso fará com que o seriado volte a explorar "as questões primais" que definiram o sucesso de sua primeira temporada: "Quem sou eu? Qual é meu propósito?"

Kring preferiu não repetir ou comentar suas autocríticas do ano passado, e Pope tampouco. Kring afirmou que na entrevista anterior, para a Entertainment Weekly, ele só havia discutido o que acontecera de errado com Generations, o volume passado, "porque me perguntaram se eu gostaria de ter feito alguma coisa de outro modo."

Ele prosseguiu: "tento produzir o melhor espetáculo que posso, e em qualquer determinado dia existem 10 mil coisas que eu faria diferente. Ninguém tinha me feito aquela pergunta antes." Pope interferiu, rindo: "e não deixaremos que ninguém, mais a repita."

Mas a análise de Kring hoje continua a mesma. A audiência se acostumou à adrenalina do final da primeira temporada, e quando começou a segunda, com a introdução de ainda mais personagens, os espectadores "perderam um pouco a paciência com a exposição lenta". Isso o levou a concluir que "quando chegam novos personagens, é preciso conectá-los aos antigos e às linhas narrativas que as pessoas já conhecem."

Quanto à viagem de Hiro no tempo, ele reconheceu que "algumas pessoas não gostaram de termos separado Hiro dos demais personagens". E os namoros? "Eu meio que disse que os romances seriam algo de diferente em uma série como a nossa, porque a narrativa tinha tanta adrenalina. É preciso que seja uma espécie de romance em campo de batalha. São coisas que você aprende ao longo do caminho."

A longa seca sem episódios novos será menos complicada, disse Kring, devido a uma decisão que ele tomou em cima da hora, em dezembro. A idéia geral para o segundo volume da última temporada era que uma ampola contendo uma praga mortal fosse quebrada no episódio final de Generations, o que prepararia o terreno para oito episódios (provavelmente carregados de adrenalina) no volume seguinte, Outbreak.

Mas ao perceber que uma greve longa era iminente, o veterano Kring, 51, que foi roteirista de séries como Providence e criou a série policial Crossing Jordan, teve uma inspiração. Decidiu refilmar o final de Generations e fazer com que Peter Petrelli, o personagem interpretado por Milo Ventimiglia, apanhasse a ampola do vírus mortífero antes que ela se quebrasse, e dessa maneira pôs fim a uma trama e também aos oito episódios que formariam o novo volume. Isso resultou em abandonar dois episódios que já estavam inteiramente roteirizados e para os quais algumas cenas já haviam sido filmadas.

"Foi uma decisão muito, muito inteligente", diz Kring. Já que o surto causado pelo germe foi eliminado da narrativa, Heroes não voltou para um final encurtado de temporada nos meses iniciais deste ano, ao contrário de muitas séries. Em lugar disso, a equipe de criação imediatamente se concentrou na nova temporada, que graças a esse prazo adicional será mais longa - 25 em lugar de 22 episódios, divididos em dois volumes que serão exibidos em semanas consecutivas.

A nova temporada começa com dois episódios em sucessão, no dia 22 de setembro, depois de um especial de uma hora de duração que será como uma festa pela estréia da série (ainda que não deva acontecer ao vivo). Kring diz que confia na série e não sente que recapitulações sejam necessárias.

"Não estamos arrastando muita história conosco", diz. "Uma pessoa que comece a assistir agora compreenderia a trama. É esse o objetivo daqui por diante."
 

The New York Times
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