| /Divulgação |
 Série Guerra e Paz é universo "flamboyant" do autor |
|
|
 |
Busca |
|
Busque outras notícias no Terra:
|
 |
|
Carlos Lombardi inventou o homem nu. O autor de boas novelas como Quatro por quatro e Bebê a bordo e desastres como O Quinto dos Infernos conseguiu imprimir uma linguagem mais ágil aos diálogos e à edição que deu ao seu trabalho um frescor e originalidade raros na televisão. E povoou seu mundo imaginário de heróis seminus e musculosos. A série Guerra e Paz, que estreou na Globo semana passada, é a apoteose da barriga tanquinho, do bafo quente e do sovaco cabeludo.
» Veja a foto ampliada
O novo programa parte da atribulada relação entre o policial Pedro Guerra (Marcos Pasquim) e a escritora Bárbara Palermo (Danielle Winits), que escreve sob o pseudônimo Paloma Paz. Apaixonada desde menina pelo amigo, ela acaba se casando com outro homem. Já adultos, se reaproximam e Bárbara redescobre a paixão.
Nas tentativas de estar perto do amor e inspiração para seus romances de aventura, a escritora se mete em casos perigosos sempre ao lado do herói. E, entre as ações, Pedro Guerra é obrigado a enfrentar vilões com o corpo exposto a venenos, choques elétricos e olhares pidões.
Alguns críticos identificam o universo "flamboyant" de Lombardi e de sua nova série com a pornochanchada, associação imediata, elitista e um tanto equivocada com um gênero ainda à margem do cinema oficial brasileiro.
Guerra e Paz baseia-se em O Magnífico, filme de 1973 dirigido por Phillippe de Broca. É uma divertidíssima comédia estrelada por Jean-Paul Belmondo e Jaqueline Bisset, na qual ele é um escritor que transfere para seus personagens todas as fantasias e recalques de sua vida pessoal. Exatamente como a personagem de Winitis. Lombardi ainda dependura Pasquim/Guerra em helicópteros, especialidade do ator francês. Irrefutável "inspiração".
Sem as obrigações dos enredos espichados das novelas, o tom de Guerra e Paz dispensa maiores explicações para os personagens, o que acelera o ritmo e intensifica o humor. Tiradas rápidas e alguns coadjuvantes de talento também ajudam a manter o tom.
E, a cada momento, há o risco iminente do protagonista aparecer em cenas de nudez convenientemente acompanhadas pela parceira de aventuras, cúmplice e álibi de um camuflado jogo sexual.
Longe da pornochanchada, voltada à anatomia da mulher, e dos desejos femininos, ligados a uma erótica da fala, o voyeur Caros Lombardi disfarça em uma boa comédia televisiva o masculino em esplendor. Afinal, o segredo de toda boa mágica consiste em desviar a atenção da platéia.
Guerra e Paz é exibido pela TV Globo toda sexta-feira, às 23h.
|