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Sábado, 28 de junho de 2008, 18h09  Atualizada às 18h08
Kadu Moliterno: "a Globo visa o Ibope e isso gera dificuldades"
 
Gabriela Germano
 
Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias/TV Press
Kadu Moliterno vive Gaspar em  Beleza Pura
Kadu Moliterno vive Gaspar em Beleza Pura
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Já faz alguns anos que Kadu Moliterno não interpreta mais personagens aventureiros, como o surfista Juba que o consagrou em Armação Ilimitada, em meados da década de 80. Aos 56 anos, o ator tem feito papéis mais maduros nos últimos folhetins. Em entrevista, o ator fala sobre a Globo, a influência do Ibope e sobre seus personagens, com destaque para Gaspar de Beleza Pura.

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» Leia o resumo de 'Beleza Pura'

"O Gaspar começou muito para baixo e coloquei um pouco de comédia. A direção gostou e deu certo", comemora o intérprete.

Na história, ele se descobriu pai de Rakelli, de Isis Valverde, e voltou a se entender com o amor do passado Ivete, de Zezé Polessa. A idade pode ter avançado. Mas o astral do ator, no entanto, continua jovem.

Até por isso, ainda hoje, o público o aborda para falar sobre Juba. Kadu se orgulha de ainda continuar pegando onda todos os dias, mas está pronto para começar a interpretar avôs na TV.

"Sou um esportista que virou ator. Já trabalhei com diversos autores e, às vezes, não tenho noção das alegrias que já dei para o público", valoriza ele.

Sua carreira ficou marcada pelo aventureiro Juba, de Armação Ilimitada, na década de 80. Mas há alguns anos você interpreta personagens maduros, como o Gaspar de Beleza Pura. O passar do tempo ajuda ou atrapalha a sua trajetória de ator?
Não acho que o tempo pese negativamente. Estou na fase de interpretar o pai e em breve vai chegar a hora de fazer o avô. A gente só soma experiência com o passar do tempo e todo diretor busca atores experientes para fugir dos problemas. O Gaspar veio em um momento ótimo para mim. É engraçado viver um cirurgião plástico que trabalha em uma clínica de estética justamente em um momento em que invisto nessa área na minha vida pessoal. Tenho um projeto de um centro de saúde e estética itinerante chamado Reviva, que levo com uma equipe de especialistas para qualquer lugar do Brasil. Sou um bom garoto propaganda porque estou com 56 anos e mostro como é possível chegar a essa idade com uma aparência jovem e bem-disposta.

Essa imagem jovem que você carrega tem a ver com o fato de muita gente ainda lembrar de você como Juba?
O meu trabalho de ator nunca parou. Mas, por quatro anos, fui o Juba e é comum que ele tenha marcado o público. Tanto é que, fazendo Beleza Pura, muitas pessoas na rua dizem: "olha lá o doutor Juba". Misturam os dois personagens. Tem gente que acha que comecei em Armação Ilimitada, mas eu já tinha quase 20 anos de carreira ali. E já fiz muitas outras coisas. Minisséries importantes, como Memorial de Maria Moura, personagens dramáticos, sem me esquecer de Paraíso, quando fiz o peão Zé Eleotério. Se vou para o interior, lembram até hoje desse papel. Estou fazendo 40 anos de carreira e deveria comemorar.

Você se sente plenamente satisfeito com o que conquistou como ator até aqui?
Com o meu tempo de carreira e minha idade, não tenho problema para realizar qualquer tipo de trabalho. Em Bang Bang fiz uma mulher e aquilo foi uma reviravolta na minha carreira. Jamais poderia imaginar que falaria fino com uma peruca. Acho que na TV não tenho mais medo de nada. O que vier, faço com prazer. E ainda quero fazer algumas coisas.

O que, por exemplo?
O cinema me chama muito a atenção e gostaria de trabalhar nessa área. Também fiz 12 anos de teatro há bastante tempo e gostaria de retomar. Já na TV acho que sou suficientemente experiente para assumir uma direção e tenho vontade de fazer isso. Tentei aqui na Globo e ainda estou tentando.

Qual é a dificuldade?
Hoje em dia as coisas na TV mudaram muito. Quando o André di Biasi e eu tivemos a idéia do Armação Ilimitada e levamos para o Daniel Filho, ele topou. Hoje são equipes que se reúnem para tomar decisões. Os projetos vão para uma convenção e decidem o que vai entrar na grade. Antigamente tinha o Boni. Você batia na porta dele e, dependendo do que propunha, seu projeto era realizado. Agora a empresa visa mais o Ibope mesmo. Mas, se você for criativo e se juntar às pessoas certas, consegue emplacar. Só é mais difícil.
 

TV Press
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