| Reinaldo Marques/Terra |
 Kelly Carlson vive a polêmica personagem Kimber em Nip/Tuck |
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A atriz americana Kelly Carlson está no Brasil para promover o seriado Nip/Tuck, da Fox, cuja quinta temporada estréia no próximo dia 23, quarta-feira. Em entrevista no World Trade Center Hotel na manhã de hoje, em São Paulo, ela disse que o maior desafio do programa é extrapolar os limites e chocar o público do mundo inteiro.
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"Acho que somos menos populares na América porque as pessoas ainda não se acostumaram a lidar com esse tipo de enfoque. Mas eu concordo que Nip/Tuck ajudou a quebrar barreiras e colocar no ar seriados como Californication, com uma sexualidade mais aflorada", exalta a atriz.
Em Nip/Tuck, Kelly vive Kimber, retrato ideal da mulher que busca a beleza a qualquer custo. Ela já passou por quase tudo: fez filmes pornôs, serviu de molde para uma boneca inflável, teve seu rosto deformado por um serial killer, engravidou e seguiu a cientologia, como forma de dar um novo rumo à sua vida. Na quinta temporada, a personagem ainda vai se viciar em metanfetamina, droga - que mexe com o sistema nervoso central - em voga entre os famosos de Hollywood.
"Tive que fazer uma pesquisa profunda sobre isso, visitei centros de tratamento. Há um grande problema com essa droga, ela pode causar danos neurológicos fortes se você usa apenas uma vez", defende.
A polêmica em relação à temática de Nip/Tuck, um retrato cruel e realístico sobre as pessoas que buscam a beleza - protagonizado por dois cirurgiões plásticos - não assustou Kelly quando ela fez o teste para entrar no elenco. "Eles tinham me falado que queriam forçar os limites e eu disse: ok. O que eu não sabia era que basicamente a minha personagem que ia extrapolar e eu já pensei no que minha avó iria pensar, se eu teria que voltar à igreja", divertiu-se.
O teste de fogo aconteceu logo no primeiro episódio, exibido em 2003 na TV americana. Kelly teve que tirar a roupa e simular uma cena de sexo com o ator Julian McMahon, o Dr. Christian Troy, sem mesmo saber se continuaria no programa. A chegada de sua personagem fez tanto sucesso, que ela passou a fazer parte do elenco regular.
"Eu acredito que a Kimber dá muita audiência para o show, especialmente entre as mulheres, que se identificam com suas situações. Há alguma coisa na química entre meu personagem e o de Julian que também dá certo", arrisca a atriz. "Eu não tenho nenhum problema com as cenas de sexo. Estou bem com meu corpo, mas só posso dizer isso sobre mim."
Kelly Carlson talvez nem queira reclamar. Antes de Nip/Tuck, sua carreira como atriz se limitou a esporádicas participações como modelo nos campeonatos de luta livre exibidos pela televisão e fazendo papéis secundários em filmes como Starship Troopers 2. "Nip/Tuck me abriu inúmeras possibilidades não só no ramo, como em outros segmentos. Passei a fazer comerciais, assinar com linhas de produtos", enumera.
O envolvimento com o tema do programa fez Kelly se tornar porta-voz da Smile Network, entidade que ajuda a arrecadar fundos para pagar cirurgias plásticas de jovens carentes. Ela, no entanto, se esquiva quando o assunto é estética: "Nossa série é contra a plástica e eu entendo este ponto de vista. A Smile faz um trabalho diferente: conserta alguns defeitos genéticos, que impedem as pessoas de serem felizes."
Nos últimos cinco anos, teve apenas um momento que Kelly se disse tão chocada, que quase ousou dizer aos roteiristas que eles tinham passado dos limites: "Foi quando minha personagem estava grávida e ia fazer um pornô. Aquilo para mim foi muito perturbador, apesar de eu nunca ter me recusado a rodar uma cena. No fim, tenho uma grande afeição por Nip/Tuck. Não acho que em qualquer outro seriado eu poderia aprender tanto."
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