| Marcio de Souza / Rede Globo/Divulgação |
 Grazi Massafera e Lima Duarte atuam em Desejo Proibido |
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Cada novela tem um modo próprio de ser pensada, produzida e exibida. Nem todas, porém, têm o tempo necessário para convencer. E tempo é precioso demais para as emissoras obcecadas com a audiência e, conseqüentemente, com o faturamento.
» Leia o resumo da novela ¿Desejo Proibido¿
Desejo Proibido, da Globo, é vítima nesse cenário. É folhetim clássico, no melhor sentido do termo: texto rebuscado e consistente, com fortes doses de romance e drama. Em outros épocas, conseguiria cativar uma boa fatia da audiência rapidamente.
Atualmente, num tempo marcado por pessoas dispersas, apressadas e pouco reflexivas, pode demorar mais que o recomendável para emplacar. E isso basta para a trama ter seu fim anunciado antes do previsto. E nem os 25 pontos de média atuais - a trama já amargou pífios 20 - são capazes de reverter o quadro.
Apesar de alinhada ao cadafalso, a obra bem-escrita por Walther Negrão está acontecendo. Longe de ser uma novela que se arrasta, em Desejo Proibido as novidades se sucedem. Personagens ressurgem para reavivar algumas histórias, como a Ana e o João Antônio, de Letícia Sabatella e Guilherme Berenguer, respectivamente.
E novas figuras se integram ao elenco, como Beth Goulart, na pele da advogada Maria de Lourdes. A chegada da personagem ativa de maneira bem costurada novas situações que envolvem o vilão Henrique, de Daniel de Oliveira e a mocinha Laura, de Fernanda Vasconcellos. Nada nem ninguém aparece por acaso.
Mas a boa condução do folhetim não pára por aí. O humor é bem dosado, tanto na oportunidade quanto na intensidade. E a maioria dos atores que encarnam personagens cômicos estão bem convincentes. Casos de Jandira Martini e de Roberto Bonfim, que interpretam o casal composto pela fofoqueira Dona Guará e o irônico barbeiro Dioclécio.
Como se não bastassem figuras engraçadas, o autor também desenvolve boas situações cômicas. O fato de o delegado Trajano e de Madalena, vividos por Cássio Gabus Mendes e Deborah Evelyn, só se tratarem como noivos fora do horário de expediente tem sido bem usado como fonte de graça.
Sem contar que abrilhantou o que já parecia irretocável: a atuação de Cássio na história. O personagem conhecido por sua seriedade e rigidez, amolece quando está ao lado da amada e mostra a versatilidade do ator.
Negrão não é bobo. Todas essas artimanhas para provocar riso no público são mescladas às cenas longas, com diálogos sérios e texto difícil. Ele é, inclusive, corajoso.
Colocou o personagem Miguel, de Murilo Rosa, questionando as práticas da Igreja Católica em uma cena com Lázaro, de Cláudio Marzo. Mas a essa altura, com a novela já condenada, ele pode se dar a esse luxo. E fez com capricho, como deve ser até o fim, em maio.
Fora poucas atuações claudicantes isoladas, como a de Letícia Birkheuer na pele da enfermeira Raquel, Desejo Proibido faz tudo certinho. Mesmo assim, em tempos em que o que mais importa é a audiência, está longe de ser unanimidade.
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