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Quarta, 12 de dezembro de 2007, 17h26 
Morrissey é acusado de racismo por atitude com Islã
 
Rafael Ramos
 
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A crescente rejeição aos estrangeiros e a atitude do Ocidente com relação ao Islã em um mundo obcecado pela segurança e pelo terrorismo geraram um amargo debate intelectual no Reino Unido, envolvendo como principais protagonistas os escritores Martin Amis e Ronan Bennett e o cantor Morrisey.

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Tudo começou quando Amis, autor de romances como The Information e Yellow Dog, declarou que "a comunidade muçulmana terá de sofrer, em forma de deportações, redução de liberdades, restrição de viagens e repressão a pessoas com aparência de que vêm do Oriente Médio ou Paquistão", em conseqüência do terrorismo, de forma a que o tratamento discriminatório leve a uma reação interna da comunidade contra os terroristas.

Não é opinião que se limite a Amis, mas o fato de que ele a tenha expressado em voz alta gerou reação explosiva dos intelectuais londrinos, encabeçados pelo também escritor Ronan Bennett (da Irlanda do Norte, que foi militante pela independência da região e foi condenado a 18 meses de prisão, na juventude); pelo crítico literário Terry Eagleton e pela colunista Yasmin Alobhai-Brown (que fugiu da Uganda de Idi Amin, se casou com um inglês, foi militante trabalhista mas se afastou do partido por conta da guerra no Iraque).

Em sua polêmica, palestra, no Festival Literário de Cheltenham, Amis acrescentou que "estamos perdendo terreno, demograficamente". E insistiu em que "é preciso admitir que existem sociedades mais desenvolvidas que outras e, por desenvolvidas quero dizer civilizadas".

Bennett, em artigo igualmente polêmico para o jornal The Guardian, ridicularizou Amis por não reconhecer a diversidade cultural e política do Islã e não admitir que os responsáveis pelo terrorismo são uma minoria infinitesimal em uma comunidade religiosa formada por milhões de pessoas.

"A comunidade islâmica sofre ataque sistemático", escreveu Bennett, "e não só por romancistas. Suas vidas diárias são marcadas por toda sorte de insultos e vexações que Amis considera convenientes, porque supostamente esse sofrimento os faria lutar de dentro contra os instigadores do terrorismo, uma noção injusta e absurda".

No caso do cantor Morrissey, o debate se concentra não em sua atitude para com o Islã, mas sim quanto a estrangeiros em geral, depois de uma entrevista em que ele supostamente teria se queixado de que o influxo de forasteiros está fazendo com que o Reino Unido "perca sua identidade". O antigo líder da banda Smiths alega que suas declarações foram distorcidas. "Abomino o racismo, a opressão e a crueldade em todas as suas formas", afirma.

Morrissey já assinou manifestos de oposição ao fascismo e participou da campanha contra o apartheid sul-africano. As acusações de racismo provêm dos anos 80 e 90, em função das letras de algumas de suas canções e por ele ter participado de um show no Finsbury Park, promovido em cartazes enfeitados por fotos de skinheads, em que cantou envolto na bandeira britânica.
 

La Vanguardia
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