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 Elenco é destaque de Desejo Proibido |
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Vale a pena parar para ver Desejo Proibido. Mas é preciso parar para valer. O folhetim de Walther Negrão é uma ótima história de época com atores - dos centrais aos coadjuvantes - em performances admiráveis. Mas a trama se desenrola de forma tediosamente lenta. É uma pasmaceira parecida com o dia-a-dia de uma pequena cidade do interior do Brasil. Tal morosidade não é ruim. Só não combina com o ritmo mais apressado das grandes cidades.
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Nos centros urbanos, todos estão cada vez mais acostumados a correr. Não sobra tempo ou não há paciência para prestar atenção no que pede calma. E talvez pelas pesquisas de audiência estarem centradas nesses locais, a novela das seis da Globo amargue a baixa marca de 23 pontos.
Com muito romance, drama na dose certa e vilanias perfeitamente tramadas pela personagem Cândida - que marca o retorno de Eva Wilma à televisão em grande estilo -, Desejo Proibido tem a cara dos folhetins de antigamente. Aquele tipo de produção que se baseia em um texto de qualidade e em um elenco de peso para seduzir.
Listar os atores que estão se destacando na novela é uma tarefa longa e demorada. Mas é impossível não registrar a extrema competência de Marcos Caruso como Padre Inácio, a desenvoltura de Nivea Maria como a primeira-dama Magnólia e a tranqüilidade em cena de Othon Bastos, no papel do folgado Alcebíades. E Cássio Gabus Mendes, como o divertido delegado Trajano, até que enfim voltou a ganhar um personagem de destaque. Sobre Lima Duarte, como o prefeito Viriato, poderiam ser feitos capítulos inteiros só com ele.
Os atrativos vão além de atores veteranos defendendo papéis que parecem ter sido escritos especialmente para eles. Entre os jovens também há boas atuações, como a protagonista Fernanda Vasconcellos, que está muito segura desde o início na pele de Laura. E Grazzi Massafera, como Florinda, demonstra que definitivamente veio para ficar.
Mesclados aos encontros e desencontros amorosos, há as cenas e passagens com boa dose de humor. E um acerto do autor foi não idealizar figuras tão óbvias como as que faziam sucesso nas novelas das seis de Walcyr Carrasco. Há o caipira, mas outros personagens trazem graça à história quando é conveniente. Bons exemplos são o casal Galileu e Belinda, de Pedro Paulo Rangel e Julia Lemmertz, ou o Soldado Brasil, interpretado por Nando Cunha.
A todas essas qualidades somam-se a uma bela imagem e a cenas dirigidas com cuidado por Marcos Paulo. Mas bons diálogos, interpretações e capricho não seduzem como antigamente. Alguns personagens têm falas longas, situações se arrastam por um tempo considerável até surgir a solução.
É uma pequena dose de suspense que, há poucas décadas atrás, era receita certa de sucesso. Hoje não é mais. E como para contar uma história da década de 30 não é necessário pegar pesado em cenas de ação, a novela não prende a atenção de alguns. E como o horário não permite mostrar mocinhas nuas, a trama fica desinteressante para outros. Vale a pena desacelerar para ver Desejo Proibido. Mas autor conhecido e elenco de peso aparentemente não bastam para convencer muita gente disso.
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