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Sábado, 24 de novembro de 2007, 12h27 
Toni Garrido quer descobrir outras facetas artísticas
 
Márcio Maio
 
Luiza Dantas/TV Press
Toni Garrido interpreta o  palhaço Gudi em  Caminhos do Coração
Toni Garrido interpreta o palhaço Gudi em Caminhos do Coração
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Toni Garrido detesta rótulos. E, por isso mesmo, costuma se definir, antes de tudo, como um intérprete. É esse conceito que o deixa seguro na hora de entrar no estúdio e gravar suas cenas como o palhaço Gudi, de Caminhos do Coração, na Record. "Me especializei em interpretar cantando, mas agora quero aperfeiçoar outras técnicas", afirma.

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E já começou a colher bons frutos de sua experiência. Convidado pelo próprio autor da novela, Tiago Santiago, o vocalista do Cidade Negra começou sua preparação com um workshop de arte circense e, desde então, passou a enxergá-la com outros olhos. "Nunca fui fã. Levei minhas filhas ao circo umas duas vezes antes desse personagem. É uma cultura com mais de mil anos e que não recebe a devida importância", lamenta.

Para conciliar a agenda de gravações com os shows da banda, Toni tem uma cláusula contratual que garante folgas de quinta a domingo. Mas, segundo o próprio, a decisão foi tomada em conjunto com a emissora. "Minha prioridade é a música. E para eles é interessante, porque os shows divulgam a novela", analisa o dublê de ator, que canta a música de abertura, Sabe Você, de Carlos Lyra.

O trabalho de estudar os textos e organizar sua agenda fica a cargo de sua nova "assistente", a filha Vitória, 11 anos. A menina, que estuda teatro, foi "contratada" pelo pai para separar os roteiros e passar as falas com ele. "Pago bem, um salário mínimo! Isso também a ajuda a perceber esse lado sem glamour da profissão", explica.

Apesar de encarar seu primeiro personagem fixo em novelas, Toni não é um novato na dramaturgia. Sua primeira experiência foi com as aulas de Teatro, ainda na adolescência, dos 14 aos 16 anos. Em 1992, voltou a exercitar seu lado cênico participando da Oficina de Atores da Globo. Com a carreira musical decolando, Toni deixou de lado a vontade de atuar e aceitou participar de uma outra oficina na emissora, mas voltada para apresentadores de programas.

O aprendizado acabou sendo usado quando o cantor, ao lado da apresentadora Angélica, foi escolhido para comandar o reality show Fama. "Tento abrir várias oportunidades para desenvolver minha veia artística. Se você pode fazer várias coisas, não vale a pena se limitar", diz Tony, que participou de duas das quatro edições do programa.

Os convites para atuar começaram a aparecer para valer depois de 1999, quando o cantor protagonizou o longa Orfeu,de Cacá Diegues. "Foi uma surpresa para muita gente, mas eu sempre tive formação de ator. É diferente de tevê e dá para conciliar com a carreira musical com mais facilidade ainda", fala.

Ainda na Globo, chegou a fazer uma pequena participação em Malhação e ouviu propostas, mas não achou que fosse o momento certo para encarar quase um ano de trabalho em um folhetim. Agora, não gosta nem de dizer o nome da concorrente. "Trabalho para a Record. No futuro, se eu voltar para a outra emissora, também vou evitar pronunciar o nome Record", justifica.

Toni ainda não sabe como vai encarar a carreira depois que a novela acabar, mas garante que pode assinar um contrato com a Record se a experiência continuar dando certo. Isso, é claro, se o novo emprego não atrapalhar o futuro do Cidade Negra. "Muita gente fala que eu vou sair, mas é mentira. Estou gravando, mas cumpro com todos os compromissos da banda normalmente", avisa. Sobre arriscar uma vaga de apresentador na casa, ele desconversa. "A Record tem espaço para isso, mas não conversamos sobre nada. Eu ainda nem terminei a novela", despista.

Das trilhas para as telas
Toni Garrido iniciou sua carreira musical aos 17 anos, quando fundou a Banda Bel com o colega Ricardo Imperatore. Permaneceu no grupo durante dez anos, quando foi convidado para ser o vocalista do Cidade Negra. Em seu primeiro CD com a banda, Sobre Todas as Forças, em 1994, alcançou a marca de 800 mil cópias vendidas. Logo o vocalista se transformou em celebridade. "No início me assustei um pouco com o assédio, tudo aconteceu de uma hora para outra", recorda.

O sucesso com a música trouxe o convite para atuar em "Orfeu", interpretando um compositor de uma escola de samba. Como já tinha estudado Teatro e interpretação para a tevê, aceitou. "Essa mistura de música e cinema me encantou. Tive que me virar, porque as gravações aconteceram na mesma época em que estávamos trabalhando pesado na banda", afirma. Depois disso, Toni já recebeu convites para dois filmes, que recusou. Recentemente, gravou uma participação no documentário Fados, de Carlos Saura. Mas, desta vez, apenas como cantor.

Instantâneas
# Até duas semanas antes da estréia de Caminhos do Coração, Toni Garrido ainda não sabia qual seria a música de abertura que gravaria para a novela. Uma das opções era a canção homônima de Gonzaguinha.
# Segundo Toni Garrido, um de seus maiores prazeres na hora de gravar a novela é perceber que o autor, seu amigo pessoal, coloca no texto de seu personagem trechos de papos que os dois têm ao telefone. Principalmente sobre questões ligadas à Filosofia. "O Tiago é filósofo, o que faz da novela muito mais do que uma simples opção de entretenimento", exagera.
# Nos bastidores das gravações, Toni se diverte cantarolando com as colegas Preta Gil e Fafá de Belém. "Não tem jeito, nós três temos a afinidade musical, que une o grupo", explica.
# Além da novela e do trabalho com o Cidade Negra, Toni toca com alguns amigos o "Flecha Black", movimento que divulga as raízes da música afro.
 

TV Press
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