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Em artigo publicado no jornal O Dia, o ex-capitão do Bope e co-roteirista do longa-metragem Tropa de Elite, Rodrigo Pimentel, o Capitão Pimentel, respondeu o desabafo de Luciano Huck, publicado segunda-feira na Folha de Paulo, sobre o assalto que sofreu em São Paulo. Na ocasião, dois homens armados em uma moto levaram o relógio do apresentador.
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Confira o artigo:
Nós estamos todos juntos nessa luta para ter uma polícia mais bem preparada, elucidativa, investigativa e cidadã. Temos certeza disso. Agora, sei que você não defende a polícia do capitão Nascimento, porque essa é a polícia da tortura, do saco plástico, da execução extrajudicial. Você diz, no entanto, que pensa em escolher entre mais e melhores escolas ou a polícia do capitão Nascimento. Eu quero propor um meio termo: as escolas, sim, mais preparadas, as políticas sociais entrando nos morros e áreas carentes, e uma polícia profissional, de dar orgulho ao brasileiro.
Todos nós sabemos que não há contrato social no Brasil hoje que possibilite a alguém andar com tranqüilidade com um Rolex. A riqueza virou "crime". Inverteram os valores, amigo Huck: trabalhar e ganhar dinheiro honestamente te torna alvo do banditismo. Por isso, temos de estar juntos em defesa de uma polícia mais bem paga, mais bem preparada.
A gente sabe que não é o caso da polícia do capitão Nascimento e todos sabemos por que ele está se tornando um herói - apesar do José Padilha, de mim, do Mantovani jamais termos pensado em colocar heróis no filme Tropa de Elite. Heróis já existem na vida real - são os policiais honestos, que precisam todos os dias enfrentar uma corporação falida e um sistema viciado. Heróis são trabalhadores mal remunerados, que passam fome, mas não aderem ao crime.
Meu amigo Huck, tenho certeza de que um dia nós vamos chamar a tropa de elite e vamos ser atendidos. Ou, melhor ainda, nem vamos precisar chamar a tropa de elite. Não estaremos em pânico para tanto. Você é um cara do bem e, tenho certeza, vai saber tirar deste episódio triste (para os dois lados) a força para continuar a fazer o que você já faz, que é dar o melhor para um País que ainda tem futuro.
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