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Duas Caras
Segunda, 1 de outubro de 2007, 10h21 
Lázaro Ramos vive seu primeiro herói nas novelas
 
Fabio Dobbs
 
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Quando fica de mau humor, Lárazo Ramos tem que convencer as pessoas de que fala sério. "Ninguém acredita, para convencer dá trabalho", reclama, fazendo voz mais grave e fechando a cara. A culpa é do jeito descontraído, ou melhor, baiano do ator.

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"Procuro ser alegre, não tenho nenhum problema na vida, sou baiano. Tive uma criação maravilhosa, trabalho, tenho onde morar, o que comer, não tenho o menor motivo de negar um sorriso para uma pessoa", analisa. Mas seu novo personagem, o Evilásio de Duas Caras ¿ novela das 20h que estréia amanhã na Globo ¿, vai fazer com que Lázaro mostre sua outra face.

O público que estava acostumado a vê-lo como o trambiqueiro e às vezes atrapalhado Foguinho ¿seu papel de maior destaque na TV, na novela Cobras e Lagartos - vai agora ver um Lázaro mais sério, com maior carga dramática.

"Evilásio vai ser um herói ativo", define. Segundo o ator, esse é seu primeiro protagonista com perfil de mocinho, mas não é do tipo que somente sofre as conseqüências dos vilões. "Ele será empreendedor, tem atitude, vai atrás do que quer. Na estrutura dramática de novela, é uma inovação", avalia.

Na trama escrita por Aguinaldo Silva, Evilásio vai ser alvo de preconceito racial e econômico. Empregado da associação de moradores da favela Portelinha, ele será o braço direito de Juvenal (Antonio Fagundes) e se apaixonará pela rica e branca Júlia (Débora Falabella).

"A história é completa. O texto do Aguinaldo não é maniqueísta. A questão financeira conta, a racial conta, o referencial errado com o padrinho também conta. O que tenho lido dessa novela é um olhar curioso sobre o ser humano, daí você vê tudo nele, não tem um olhar preconceituoso", filosofa.

Sorrindo ou sério, Lázaro corre atrás de bons papéis. "Eu me vendo como um ator versátil. Não sou uma coisa só, posso ser outra e, mesmo que não seja, aprendo. Meu desejo como ator é ser uma massa de modelar: a todo momento sou moldado em uma forma diferente", compara.
 

O Dia

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