| Arionauro/ Carta Z Notícias/TV Press |
 Copacabana é cenário predileto para muitos autores |
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Cantada em verso e prosa por diversos poetas e compositores, Copacabana tem sido mais que um simples cenário em novelas e minisséries. Em Paraíso Tropical, o bairro que abriga a praia mais famosa do planeta é quase um personagem do autor Gilberto Braga, que não só fez do bairro o cenário dessa trama das oito, mas de outras, como Dancin' Days e Pátria Minha, por exemplo.
Para Gilberto, as constantes homenagens a Copacabana resgatam parte da sua história. "É o bairro onde morei dos 10 aos 30 anos. Copacabana é o cenário perfeito porque tem a praia mais bonita do mundo e emociona lembrar de Dick Farney cantando 'Copacabana, Princesinha do Mar...'", diz o autor.
Além da porção romântica e das referências aos anos de ouro do bairro, que efervescia no Hotel Copacabana Palace nas décadas de 40 e 50, Copacabana já foi mostrada de diversas formas em produções na TV.
Em As Noivas de Copacabana, por exemplo, minissérie exibida em 1992, os autores Dias Gomes e Marcílio Moraes usaram o bairro como cenário de 50% das cenas externas de ação. Todas protagonizadas pelo psicopata Donato, de Miguel Falabella.
"Copa é um ícone na dramaturgia. Não há autor que não se sinta tentado a fazer uma novela que enalteça suas boates, a vida fervilhante ou a prostituição. Tudo seduz", avalia Marcílio.
"Para a minissérie, o bairro foi tão importante como um personagem principal. Ele dá autenticidade para a história", concorda Roberto Farias, diretor da minissérie.
Outra trama que deitou e rolou nas pedras portuguesas que revestem as calçadas com o clássico desenho das ondas do bairro foi O Outro, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.
A novela era toda gravada na Avenida Atlântica, onde perambulava a rebelde Glorinha da Abolição, personagem de Malu Mader, ao lado de Agostinho, de José Lewgoy, que morava num casarão na praia.
"Em Copacabana cabem todos os tipos de personagens. Lá é um microcosmo. Uma fatia do mundo. Por isso, tão utilizada", observa Ricardo.
Essa fatia também foi representada em Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva. Todo o núcleo da diabólica vilã Nazaré, de Renata Sorrah, morava no Bairro Peixoto, um recanto bucólico de Copacabana onde eram gravadas quase todas as cenas externas da novela. Dentre as tomadas, muitas se passavam no Pontinho, um botequim da região.
"Era muito divertido gravar lá. Tínhamos aquela platéia do bairro, com aquele clima genuíno de Copa. Até hoje tem um pôster da Nazaré nesse bar", diverte-se Renata Sorrah.
Na verdade, bares e boates nunca faltaram em novelas que se passavam no bairro. Até Kubanacan, por exemplo, de Carlos Lombardi, apesar de não citar o bairro na história, contava com o divertido "Copacabana Night Club", um fictício reduto dos personagens boêmios.
Já na minissérie Anos Dourados, também de Gilberto Braga, os personagens Glória e Dornelles, de Betty Faria e José de Abreu, namoravam escondidos numa fictícia boate em Copacabana.
"Tive de rodar por várias boates de strip-tease e prostituição do bairro para compor a Bebel. Só Copacabana reúne tantos inferninhos e tanto glamour", destaca Camila Pitanga, que vive a voluptuosa prostituta em Paraíso Tropical.
O glamour do bairro sempre foi muito bem representado nas novelas através do suntuoso Copacabana Palace, inaugurado em 1923. Isso sem falar nos cinemas, como no longa Notorious, de Alfred Hitchcock, filmado em 1946.
Debruçado sobre a Praia de Copacabana, o hotel inspirou Gilberto Braga em Pátria Minha, na construção do fictício Hotel Garnier, com fachada e hall que contavam com sete metros de altura.
Já em Dancin' Days, a cena final da trama se passava numa majestosa festa no Copacabana Palace. Até hoje, Sônia Braga lembra da cena de sua personagem Júlia com Yolanda Pratini, sua irmã interpretada por Joana Fomm. "Foi a despedida de um grande sucesso no cenário mais clássico do bairro", recorda Sônia.
Redutos residenciais
Como Copacabana abriga os tipos mais exóticos de moradores, muitos autores resolvem unir nas novelas personagens muito diferentes em apenas um núcleo, concentrado nos edifícios de Copacabana.
Enquanto na novela O Outro existia o Edifício Sobre as Ondas - inspirado num restaurante homônimo do bairro - , Paraíso Tropical se destaca com o conturbado Copamar.
Chefiado pela conservadora síndica Iracema, de Dayse Lúcidi, o prédio consegue representar uma parcela dos edifícios do bairro, onde muitas vezes cafetinas convivem no mesmo endereço que famílias de classe média.
"Todo mundo diz que tenho a cara de Copacabana. Sou igual à minha personagem. As pessoas me param na rua para falar sobre problemas de condomínio", diverte-se Dayse, moradora do bairro há 30 anos.
Para Ricardo Linhares, as diferenças entre os edifícios Copamar e Sobre as Ondas são mínimas porque, segundo o autor, é impossível retratar o bairro sem mostrar seus personagens principais: a classe média que convive com os diferentes prestadores de serviço no bairro.
"Uma coisa é certa: prédios em Copacabana sempre são o núcleo cômico de uma história. Este é um bairro mítico, uma referência mundial de Brasil", teoriza.
Instantâneas
# Na novela O Bofe, de Bráulio Pedroso e Lauro César Muniz, Guiomar, a viúva interpretada por Betty Faria, saía do subúrbio e "melhorava de vida" ao se mudar para Copacabana. A trama da Globo foi exibida em 1972
# Em Gente Fina, novela de Luís Carlos Fusco, exibida em 1990 na Globo, Guilherme e Joana, personagens de Hugo Carvana e Nívea Maria, eram despejados de seu apartamento em Copacabana e se mudavam para São Cristóvão, no Rio
# Felicidade, novela de Manoel Carlos exibida em 1992, contava com um núcleo que morava no Bairro Peixoto, em Copacabana
# Maria Bethânia canta Sábado em Copacabana - composta por Dorival Caymmi e Carlos Guinle na década de 50 - na abertura de Paraíso Tropical
# Interlúdio, filme de Alfred Hitchcock de 1946, exibia imagens da Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, e do Copacabana Palace.
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