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Segunda, 30 de julho de 2007, 18h42  Atualizada às 19h01
"Bebel e Olavo têm tesão, química", diz Wagner Moura
 
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Numa novela que tem Fábio Assunção, Marcello Antony e Bruno Gagliasso, Wagner Moura, 31 anos, ganhou no alto aproveitamento das tiradas ferinas do texto de Gilberto Braga e na pegada convincente em Camila Pitanga, a Bebel da trama. "Eles têm tesão, química. É o olho no olho, o jogo com o colega", explica Wagner, que conhecia Camila do set de Saneamento Básico, o Filme.

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"A gente já tinha abertura", explica ele, dúbio. "O Wagner é um palhaço, divertidíssimo. Não é nada acomodado e está sempre inteiro em cena. A Bebel diria que ele é 'cueca maneira'", rebate Camila.

Encontrar Wagner, nessa reta final de novela, é tarefa dificílima. Os capítulos estão sendo gravados uma semana antes de irem ao ar, e Olavo está em grande parte das cenas. Após negociação gigantesca, uma data marcada: em São Paulo. Ele gravou às 7h, pegou engarrafamento no Rio, atraso no aeroporto por causa do caos aéreo, engarrafamento em São Paulo e, ao chegar no hotel, só tinha meia hora para uma ducha e saída corrida para uma pré-estréia. Ou seja, motivo de sobra para um ataque de estrela.

Mas ducha devidamente esquecida, lá vem ele, olho no olho, "minha nega, isso", "minha nega, aquilo", vamos lá, senta aí, voz baixa e focado. Aceita Halls, está meio gripado, mas vai em frente. Você se sente o cara? "Isso não vai bater nunca. Cada um é cada um. Sou canceriano típico, chorão, caseiro, quieto. Sou emotivo, mas não sou triste não, sou feliz", avisa ele, que chegou ao Rio em 2001, vindo de Salvador com a 'comunidade baiana' - Lázaro Ramos e Vladimir Brichta entre eles - para fazer a peça A Máquina.

Lá em Salvador, tentou fazer dança afro com o Bando de Teatro do Olodum e era chamado de "Parmalat", por ser o único branquelo entre os atores negros. Pediu para ser amigo de Lázaro Ramos, por quem "se apaixonou". Parceria certa, em Cidade Baixa, Ó Paí, Ó e tantos outros trabalhos. "Contracenar é que nem sexo. Tem a sua hora e a hora do outro", diz Wagner. "Temos uma relação bem família", ri Lázaro.

No Rio, Wagner Moura foi ficando, ficando, instalou-se no Jardim Botânico, teve o fi lho Bem, de quase 1 ano, com a fotógrafa Sandra Delgado - relação de quase 7 anos, dos tempos da faculdade de Jornalismo. Dia desses, foi fotografado conversando com um morador de rua perto de casa. "Era um mendigo ótimo, que tinha saído da Bahia e não estava conseguindo voltar. Eu vi que ele estava com uns cachorrinhos e fui lá conversar", conta ele, surpreso por ter sido fotografado.

"Me fotografaram, é? Que loucura. Não sou perseguido por paparazzo porque levo uma vida comum. Talvez isso tenha mudado, as pessoas vêm falar comigo mais vezes, novela das oito é muito popular. Falam com humor da relação com a Bebel", diz ele.

Humor esse que não falta a Wagner. Imita um Silvio Santos como ninguém e não resiste em fazer a voz rouquinha de Selton Mello nos bastidores, reproduzindo o bordão da propaganda: 'Xiii, viajou na batatinha'.

Guilhermina Guinle, a Alice da trama, futura mulher de Olavo, conhece o ator desde A Lua Me Disse. "Ele é bem-humorado, generoso e faz a cena olho no olho mesmo, se entrega. Não fi ca cheio de dedos", conta. Bruna Di Tulio, a Viviane que perdeu Olavo para Bebel, reforça: "O Wagner sabe bater uma bola."

Na verdade, Wagner não era a primeira opção para o Olavo. "Eu queria o Selton Mello, que não queria fazer novela. Dennis (Carvalho, diretor) me garantiu que eu ia gostar do Wagner, que tinha feito o JK, e tinha razão. Quem também deu força para o Wagner ser chamado foi o Fábio Assunção", conta o autor Gilberto Braga. "O Wagner é excepcional, um colega absolutamente solar", elogia Assunção, o rival Daniel.

E sabe bem o que quer. Wagner esnobou a Globo e não assinou contrato longo: quer liberdade e 'ser ou não ser' como Hamlet, de Shakespeare, no teatro, quando a novela acabar. Ele só tem uma reclamação. Fora a popularidade, não está ganhando um tostão com publicidade. "Quem quer vilão pra anunciar produto? Tô arrasado", brinca, fazendo muxoxo.

Se Wagner não faz propaganda, fazemos nós, seguida de perdoável indiscrição. Mesmo no corre-corre, marcou outro dia para fazer fotos no Parque Lage e mudou de roupa, desencanado, ali mesmo. E um registro deve ser feito, reforçando a teoria de Bebel: Wagner Moura é, sem dúvida, "cueca maneira".

Bater na Camila foi bom
Wagner Moura tem consciência que ganhou empatia do público de Paraíso Tropical com o jogo bem-sucedido com Camila Pitanga. Em sua segunda novela - fez o humorístico Sexo Frágil, Carga Pesada, a minissérie JK e 15 filmes -, diz que Olavo tem tudo dele. "Todo personagem é você. Claro que colocando uma lente de aumento...", ri.

Miguel Falabella, que acreditou em Wagner para fazer o par romântico com Adriana Esteves na estréia em A Lua Me Disse (2005), diz que ele tem personalidade. "Há atores que têm assinatura e Wagner é um deles. Ele não só foge do estereótipo do galã tradicional, como traz novas exigências para o papel", elogia Miguel.

E já tem uma para o Olavo: quer voltar a ser o Darth Vader do começo. "Minha história com Bebel foi ótima para mim e meu personagem. Mas está na hora do Olavo retomar as maldades. Ele não pode virar o cara do romance", acredita.

Na comédia Saneamento Básico, de Jorge Furtado, a relação de Wagner com Camila é outra: ele vira o Monstro do Fosso e dá uns tabefes na pseudo-atriz feita por ela. "Bater na Camila foi bom. Você não imagina como nos divertimos", ri.

No inédito Tropa de Elite, de José Padilha, romance não tem vez. Wagner treinou duro com ex-policiais para ser o Capitão Nascimento, do Bope.

"É fi lme pesado, ele tortura, tem cena de enfrentamento", conta ele, que passou o aperto de estar no alto da Babilônia, quando o carro da produção com armas cenográficas foi roubado, e filmar sob olhar de traficante no Morro dos Prazeres. "Nunca é tranqüilo fi lmar com uma pessoa com arma perto de você, né?."
 

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