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Sábado, 30 de junho de 2007, 14h02 
Atletas viram comentaristas nas coberturas de eventos esportivos
 
Márcio Maio
 
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A carreira de atleta costuma ser muito curta. Mas ela tem se prolongado graças a uma atividade complementar. Cada vez mais presentes nas coberturas televisivas, os atletas dividem a bancada com os âncoras e mostram que, se bem aproveitados, podem fazer diferença nas transmissões como comentaristas.

Para Kléber Machado, jornalista da Globo, a presença de esportistas é bem-vinda e traz segurança aos repórteres e apresentadores que trabalham ao lado deles. "São profissionais com um olhar técnico e anos de vivência. Eles têm experiência de vestiário, isso é bom para todos os lados, principalmente para o telespectador", garante.

Luciano do Valle, da Band, até concorda, mas acha que isso só vale para alguns profissionais. "Só me ajuda se for um nome forte, que traga audiência. Tenho 45 anos de experiência e não sinto falta de ninguém analisando competições comigo", minimiza.

Apaixonado por televisão desde pequeno, Robson Caetano sabe aproveitar o espaço investe no novo mercado de trabalho. Desde 1995, o velocista fazia comentários esporádicos e chegou a trabalhar como repórter. Agora, contratado da Globo, aproveita a oportunidade para se sobressair e continuar na mídia. "É uma relação de troca. Ninguém quer ser esquecido. Eu melhoro a cobertura com minha experiência e a tevê me deixa em evidência", explica.

Mas nem todos os atletas pensam assim. Contratada da Record, Fernanda Venturini não acredita que seja fundamental contar com esportistas nas coberturas. "As emissoras contam com profissionais que entendem bem de esporte. Os atletas ajudam a elevar a audiência por causa dos seus fãs", opina a jogadora de vôlei.

Para trabalhar na televisão, os atletas passam por uma bateria de exercícios e por treinamento específico que ajudam a se entrosar com a câmara. Desde consultas a fonoaudiólogos e muitos testes de vídeo, o caminho até chegar às transmissões demanda tempo e dedicação. "Uma coisa é jogar, outra é ter visão de jogo e se expressar. Treinamos com situações que podem acontecer ao vivo", informa o jogador de vôlei Tande, da Globo.

Acostumado a trabalhar na tevê, Oscar Schimdt concorda, mas assume que as aparições na mídia mexem com a vaidade dos atletas e o esforço compensa. "A gente passa a vida em exposição. Quando pára, parece que falta um pedaço. Essa função de comentarista alivia nossa perda", confessa o comentarista da Globo e ex-jogador de basquete.

Luisa Parente deixou de competir profissionalmente há 13 anos. Na época, a ginasta percebeu que não queria ganhar a vida como treinadora. Além disso, a ginástica artística não é um esporte muito cultuado no Brasil, o que preocupava a jovem, então com 22 anos. Agora, coordenadora do grupo de ginástica Luisa Parente Imagynação, ela participa de coberturas em grandes eventos. "A gente dá um esclarecimento imediato sobre o que está acontecendo. Não conta só conhecer as modalidades, faço parte da cultura esportiva nacional", avalia a comentarista da Band.

Além de aprofundar as notícias, a função de comentarista também ameniza frustrações. A judoca Cristiane Parmigiano, de 28 anos, parou de competir por conta do casamento e dos filhos. A decisão foi tomada depois que perdeu na final das seletivas para o Pan. Naquela hora, Cris acreditou que o sonho de participar do evento estava terminado. Mas, a convite da Band, ela comentará as lutas e analisará competições de outros esportes. "É uma maneira inteligente de participar. No início fiquei com medo, mas é um assunto que domino e isso me dá segurança", conta.

Situação semelhante vive a jogadora de futebol Juliana Cabral. Empolgada para competir pelo Pan, a jovem de 25 anos ficou de fora dos jogos por causa de uma contusão no joelho. Foi a deixa para fechar sua participação na Band. Além de sentir o gostinho de estar no evento, Juliana espera dar mais visibilidade à sua modalidade. "As pessoas precisam dar mais valor ao futebol feminino. Estamos crescendo e poucos abrem os olhos para isso, entendendo melhor nossas regras e dando espaço para o esporte", critica.

De olho no futuro
Não é só pela imagem que compensa trabalhar como comentarista. Para muitos atletas, a oportunidade de entrar em uma emissora de tevê pode garantir o futuro do ex-atleta e mantê-lo na área de esportes. Depois de participar de quatro olimpíadas e ganhar duas medalhas de bronze, fora várias outras competições no atletismo, Robson Caetano descobriu uma nova vocação a partir dessas aparições.

As investidas na televisão deram tão certo que o atleta já foi vencedor do quadro Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão, e estudou teatro. Mas todas as suas fichas agora estão voltadas para o diploma de jornalismo, que deve receber no fim do ano. "Decidi estudar para não ouvir que estou roubando o lugar de alguém. Adoro tevê e quero aproveitar as oportunidades que o veículo me dá atualmente", conclui.

Cristiane Parmigiano ainda não tem planos de estudar jornalismo, mas não descarta essa possibilidade. É que, durante a preparação para entrar no ar nas transmissões, a ex-judoca já começa a se interessar pelo trabalho na televisão. "Um jornalista fica me ajudando a testar a narração e meu desempenho. É uma novidade, estou muito empolgada. Quem sabe um dia não resolvo me especializar?", indaga.

Instantâneas
# Contratado da Globo até dezembro, o jogador de vôlei Tande já deixou de ser apenas um comentarista na emissora. Ele assina um dos blogs do site do programa Globo Esporte. "Uma senhora me parou na rua outro dia e agradeceu minha contribuição ao esporte. Isso vale todo o trabalho", avalia.
# Para garantir a cobertura das competições no Pan 2007, a Band optou por uma equipe de comentaristas mulheres. O grupo ganhou o nome de Meninas do Rio e é composto por Virna Dias, do vôlei; Ana Paula Connelly, do vôlei de praia; Luisa Parente, da ginástica artística, Bárbara Borges, da natação; Marta Sobral, do basquete; Cristhiane Parmigiano, do judô; Duda Yancovich, do boxe; Meg Montão, do handebol; e Juliana Cabral, do futebol feminino.
# Robson Caetano estreou como comentarista esportivo e repórter de campo na Globo, em 1995. Desde 1988, quando ainda estava competindo, o velocista deixava claro nas entrevistas que queria trabalhar na televisão depois de se "aposentar" como atleta.
 

TV Press
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