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Segunda, 11 de dezembro de 2006, 11h53 
Tenor é vaiado e abandona ópera no La Scala de Milão
 
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O famoso cantor de ópera Roberto Alagna, conhecido como o "quarto tenor", abandonou o palco do teatro La Scala de Milão depois de ser vaiado no meio de uma performance, e teve de ser substituído por um outro tenor que não tinha nem a fantasia adequada para o espetáculo. O episódio provocou críticas.

"Houve uma óbvia falta de respeito para com o público e para com o teatro", disse o diretor artístico do La Scala, Stephane Lissner, numa nota divulgada na segunda-feira, em que chamou o incidente de lamentável.

O francês Alagna, considerado por alguns críticos como o novo Pavarotti, estava representando o papel principal da celebrada produção da Aída, de Verdi, montada por Franco Zeffirelli, que estreou na quinta-feira, abrindo a nova temporada do La Scala.

Minutos depois do início da segunda apresentação do espetáculo, na noite de domingo, um pequeno setor do público começou a vaiar Alagna, que tinha acabado de cantar uma ária. A vaia aparentemente foi uma retaliação às declarações de Alagna sobre como o público do La Scala é exigente.

O tenor, de 43 anos, que já estava irritado com algumas críticas de seu desempenho na noite de abertura, levantou o punho para a platéia e saiu do palco, deixando a meio-soprano Ildiko Komlosi sozinha no palco, para "cantar um dueto sozinha".

Depois de alguns instantes de indecisão, com pessoas da platéia gritando "Que vergonha!", o substituto Antonello Palombi subiu ao palco, de jeans e camiseta preta, já que não tinha fantasia. "Eles literalmente me pegaram e me jogaram no palco", disse Palombi à agência de notícias Ansa.

O espetáculo foi aplaudido por nove minutos quando terminou. "Foi um bom teste, e eu passei."

Alagna já tinha dito numa entrevista depois da estréia da ópera que pretendia cancelar espetáculos futuros no La Scala, onde a platéia — que paga até 2.000 euros por um ingresso — pode ser bem difícil de agradar.

Ele disse que se apresentar no La Scala é como entrar numa arena de touradas, e que sua mulher, a soprano Angela Gheorghiu, também estava pensando em cancelar sua aparição em La Traviata, no ano que vem.

"Já cantei no mundo todo e obtive sucesso em todos os lugares, mas o público esta noite foi surreal", disse o tenor, na noite de domingo.

Os organizadores pediram desculpas ao público e o maestro Riccardo Chailly disse que nunca, em sua longa carreira no La Scala, tinha visto um cantor sair no meio de uma apresentação.

É famosa uma vaia que o tenor Luciano Pavarotti levou no teatro depois de errar uma nota alta em 1992, mas ele permaneceu no palco e mais tarde disse que o público teve razão em criticá-lo.

(Texto de Silvia Aloisi)
 

Reuters

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