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Pé na Jaca
Domingo, 26 de novembro de 2006, 12h00 
"Pé na Jaca" mescla humor e sensualidade no horário das 19h
 
Mariana Trigo
 
Rafael Andrade/TV Globo/Divulgação
Juliana Paes é uma das protagonistas de  Pé na Jaca
Juliana Paes é uma das protagonistas de Pé na Jaca
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Com Pé na Jaca, Carlos Lombardi demonstra mais uma vez que enxerga o mundo como um caleidoscópio. Cenas cada vez mais ágeis, edição veloz e uma vasta colcha de retalhos que se desdobra em cinco peças principais: Arthur, Guinevere, Elizabeth, Maria e Lance, personagens respectivamente de Murilo Benício, Juliana Paes, Deborah Secco, Fernanda Lima e Marcos Pasquim.

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O quinteto, que jurou amizade na infância, mantém os alicerces da trama que mescla a agitação de São Paulo com a calmaria da fictícia Deus Me Livre. Nessa interseção, cabem todos os extremos e possíveis combinações lombardianas. Desde os descamisados de sempre - encabeçados pelo visual troglodita adotado pelo falso gay de Marcos Pasquim -, até acontecimentos inverossímeis, como uma cidade sob as ondas erguidas pela queda de um zepelim num rio.

Com Carlos Lombardi, a tela é permanentemente invadida de corpos seminus ou sob roupas molhadas que revelam o que escondem. É mais do mesmo. Como nas cenas em que Juliana Paes toma banhos em rio ou com a cama vibratória dos personagens de Arthur e Vanessa, vivida por Flávia Alessandra. E, desta vez, o autor de O Quinto dos Infernos apela ao humor pastelão, um gênero que requer grandes comediantes com completo domínio da expressão corporal. Não é o caso do elenco. Murilo Benício é especialmente ineficaz e parece que ainda não se despiu dos trejeitos do desengonçado peão Tião de América.

Por outro lado, Fernanda Lima parece ter feito os deveres de casa. Após sua fracassada atuação na arruinada Bang Bang, também dirigida por Ricardo Waddington, a modelo agora se mostra mais à vontade. Faz o que sempre soube fazer na vida: deslizar sobre passarelas e estampar "outdoors" na pele da top model Maria. Até quando contracena com a sempre surpreendente Drica Moraes, que vive a divertida Pietra, Fernanda não faz feio. Aliás, é uma pena Drica continuar morando em Londres e fazer apenas uma participação na trama.

Outro acerto da novela é a abertura, que deve atrair a atenção das crianças. Visivelmente inspirada em longas de animação, como A Fuga das Galinhas, A Era do Gelo, Os Sem Floresta e A Batalha dos Vegetais, as cenas dos animais da fazenda dançando é o que, pelo menos a princípio, há de melhor no humor da produção. Nesse clima rural, alguns acertos, como a interessante atuação de Leonardo Villar como Tio José e da estreante Emanuelle Araújo na pele da brejeira Clotilda. Juliana Paes também dá conta do recado e mostra um amadurecimento como atriz na pele da sofrida Guinevere.

Como Pé na Jaca herda a difícil missão de manter a satisfatória audiência de 44 pontos conquistada por Cobras & Lagartos, a trama não fez feio ao estrear com 40 de média e picos de 45. Mas talvez não seja tão fácil para Lombardi sustentar a atenção para uma história que estréia no início de verão sem mostrar as manjadas mas sempre impressionantes paisagens das praias do Rio. Passar as férias entre a Avenida Paulista e um fim de mundo chamado Deus Me Livre é pior que enfiar o pé na jaca.
 

TV Press
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