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Alta estação
Domingo, 22 de outubro de 2006, 13h22 
Alta Estação tem ingredientes de Malhação com mais tempero
 
Flavia Cirino
 
Jorge Rodrigues Jorge /TV Press
Com jovens atores,  Alta Estação  é a nova aposta da Record
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Logo na estréia, Alta Estação, novela que inaugura o terceiro horário de teledramaturgia na Record, demonstra que uma cópia pode superar o produto original.

Leia o resumo da novela
Fotos ampliadas de famosos!

A trama marcou sete pontos de audiência, índice satisfatório para uma emissora que oscilava entre quatro e cinco pontos no período, com o seriado enlatado Shena, a Princesa Guerreira.

Embora tenha algumas diferenças de Malhação, da Globo - a trama da Record é ambientada na universidade, enquanto a concorrente se passa em um colégio - o folhetim de Margareth Boury é bastante agradável.

O elenco jovem ainda está "preso", mas os poucos veteranos como Fábio Lago, que vive o Zen, dão conta do recado.

A abertura é idêntica à produção da Globo. Tem efeitos de computação gráfica e até um rock com acordes semelhantes. Música, por sinal, é uma constante em Alta Estação.

Em alguns momentos, chega a incomodar. Há longas cenas nas quais o diálogo é substituído por um fundo musical, como em um videoclipe. Lembra ainda o programa Ídolos, do SBT, em especial nas cenas da personagem Flávia - vivida por Lana Rodes - cantando no bar "Jony's".

Não por mera coincidência, Lana participou do programa do SBT e terminou eliminada. Nesse jogo de imitações, mesmo o bar de Alta Estação remete ao Giga-byte, lanchonete da novela "teen" da Globo. Só é maior e tem um proprietário "gente boa", diferente da ranzinza Dona Vilma, de Malhação.

A história não tem seis protagonistas, como insiste em dizer a autora, mas apenas uma, Ariela Massoti. Inexperiente, a atriz está em fase de adaptação e ao que tudo indica, pode - e deve - melhorar.

Sua personagem deixa a pacata Diamantina, em Minas Gerais, para "perseguir" o "amor de sua vida", Eduardo, de Daniel Aguiar. Ao chegar no Rio, tem apenas os classificados de jornal como aliado.

Para uma "filhinha de papai" vinda do interior, Bárbara é um fenômeno em solucionar problemas de moradia, emprego e capacitação. A despachada mineirinha consegue, em poucos minutos, uma vaga para estudantes num apartamento, onde se instala com a maior facilidade. E, instantaneamente, passa a dominar as gírias cariocas.

No bloco seguinte da novela, arrumou um emprego de garçonete sem nunca antes ter segurado numa bandeja. E a equilibra como poucos!

O galã da trama, Eduardo, vivido pelo modelo e ator novato Daniel, se sai bem na função de "bonitinho". E só. Se a intenção era fazê-lo passar por um destruidor de corações, tanto das mocinhas da trama, quanto das telespectadoras, a missão está cumprida.

Daniel tem os atributos que atraem a garotada. Louro, bonito e de olhos claros, tem o porte de uma "Gisele Bündchen de calças". É o grande amor da vida de Bárbara. Mas tem uma namorada, a polêmica e decidida Taíssa, de Natália Rodrigues. Ela vai abortar o filho que espera de Eduardo, o que numa emissora comandada por evangélicos, é atitude reservada a uma vilã da pior espécie.

Alta Estação começou dinâmica e, se mantiver o ritmo da estréia, pode ter fôlego para outras temporadas. Nem tão "Friends", nem tão "Felicity", seriados americanos que têm enredos semelhantes, a produção da Record merece crédito.
 

TV Press
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