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Andrew Quinn JOHANESBURGO (Reuters) - Como acontece com muitas personagens de telenovela em todo o mundo, a vida de Nandipha Matabane sempre foi tumultuada, alternando tragédias e triunfos. Nandipha, uma das personagens da novela sul-africana "Isidingo",já foi sequestrada, sofreu um estupro e perdeu seu bebê numa explosão de bomba. Antes de lançar-se numa carreira glamourosa de apresentadora de televisão, descobriu que era portadora do vírus HIV. Agora, numa iniciativa inusitada de uma das telenovelas de maior audiência da África do Sul, Nandipha vai contrair Aids. Os produtores de "Isidingo" esperam, com isso, ajudar a romper o estigma que cerca a doença num país em que uma em cada nove pessoas são soropositivas. "A impressão que se tem é que, de certo modo, a Aids perdeu um pouco seu lugar de destaque na atenção pública, e que as pessoas já não estão levando a doença tão a sério," disse o roteirista chefe da novela, Greig Coetzee. "As pessoas ou podem ignorar a doença ou adotar uma abordagem fatalista. Nós queremos mostrar que é possível conviver com a Aids e administrar a doença", completou o diretor. A ação de "Isidingo" acontece numa cidade de mineração de ouro e acompanha as vidas complicadas de personagens negros e brancos, numa trama que envolve amor, dinheiro e traição. A epidemia de HIV/Aids, que atinge estimados 5 milhões dos 45 milhões de sul-africanos, já foi tratada em dramas de televisão muito mais sérios, mas até agora não penetrou no mundo das telenovelas. A provação que Nandipha vai sofrer deve mudar essa realidade. "Ela terá altos e baixos",disse Coetzee. "Uma coisa é certa: vamos mostrar a situação dela de maneira realista." O jornal Sowetan disse que a mudança de trama de "Isidingo" vai ser uma "prova de realidade" para o público da novela, que é transmitida pela emissora pública SABC e é vista por mais de 1 milhão de espectadores todos os dias. "A personagem antes jovem e bela vai passar por uma transformação assustadora, à medida que sua condição se agrava," disse o jornal. Analistas de mídia acreditam que "Isidingo" pode exercer um impacto grande em termos de conscientização da população sul-africana para o problema da Aids. Ativistas acusam o governo de menosprezar a gravidade da epidemia e até agora poucas personalidades públicas reconheceram o fato de estarem contaminadas com o HIV.
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