| Globo/Divulgação |
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| Para vencer o repúdio a argentinos, Antonella terá de abusar da sensualidade |
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Se o objetivo era conquistar audiência, a Globo acertou em cheio ao apostar em mais uma versão do batido Big Brother Brasil. A estréia do reality show atingiu excelentes 42 pontos de média - menor apenas que os 49 pontos da primeira versão. Bem diferente da segunda e terceira edições, que estrearam com rasos 29 e 38 pontos de média.
A explicação para a insistência da emissora em bater na mesma tecla é simples: entre os programas que produziu, o BBB é de longe o que mais atraiu anunciantes e audiência. O Jogo, por exemplo, foi um fracasso, assim como as duas versões do Fama tiveram ibopes modestos. Até mesmo o aclamado No Limite chegou "manco" na terceira edição.
Embora siga a mesma fórmula de unir diferentes tipos desde a primeira edição, o perfil dos concorrentes do BBB4 é um dos mais curiosos. Para começar, o programa conta com a presença "macabra" de um jardineiro de cemitério, o paulistano Rogério. Entre os homens, também chama a atenção o esquisitão lutador de vale-tudo Marcelo Dourado e o platinado carioca Cristiano, o primeiro líder da casa. Já a escolha das mulheres é evidente que enfatizou-se a beleza física. Diferentemente das edições anteriores, o BBB4 só tem beldades. Até por um motivo óbvio: quanto mais rápido o programa formar casais, maior a possibilidade de conflitos e panelinhas aparecerem. Iscas eficientes para "fisgar" os espectadores.
Uma presença feminina curiosa é a da loura argentina Antonella. Pela lógica, ela jamais ganharia o programa, pois os brasileiros têm uma rixa histórica com "los hermanos", como bem lembrou o "mister simpatia" Pedro Bial, que assumiu o óculos diante das câmaras desta vez. Mas Antonella é escultural, foi capa da Playboy e sabe que a única chance que tem de se tornar a vencedora é virar uma espécie de Sabrina, a gostosona preferida do último programa. Por isso, não só a gata argentina como a maioria das mulheres do programa fiquem a maior parte do tempo em pé em frente aos espelhos da casa para enfeitiçar não só os concorrentes do programa como os espectadores. A mulata Solange, por exemplo, logo na estréia já deixou aparecer os seios numa planejada troca de roupa.
Outro fator que ajudou a turbinar a nova edição foi a emissora ter escolhido dois participantes por sorteio através do preenchimento do cupom da revista "Quero Ser Um Big Brother". A promoção que escolheu os fluminenses Tiago Lira e Gecilda da Silva para se juntarem aos outros 14 confinados, também sorteou "padrinhos" e "madrinhas" para cada um dos concorrentes, o que levou muita gente para frente da telinha, pois cada um ganhou uma tevê e o "padrinho" do vencedor vai receber um carro. Além da novidade, a emissora aumentou o faturamento do programa, pois vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares a R$ 2 cada um. Ou seja: a revista faturou nada menos do que seis vezes o prêmio de R$ 500 mil do vencedor - e a emissora deve ter abocanhado pelo menos metade disso. Mas se a Globo mostrou eficiência para tornar o programa mais rentável ainda, o mesmo não aconteceu com a dinâmica do jogo em si. Tudo continua previsível.
A prova em que todos tiveram de encher um carro com alimentos e a que escolheu o primeiro líder foram meros repetecos das versões anteriores. O diretor Boninho e companhia não se deram ao trabalho de criar algo mais interessante do que novamente fazer com que os participantes fossem obrigados a permanecer sentados, sem comer e sem dormir para ganhar a liderança ou um carro da Fiat, deixando evidente o teor publicitário da prova. A inércia da equipe que produz o programa acontece porque o reality show é o que mais se aproxima da dramaturgia, gênero adorado pelos espectadores brasileiros, conhecidamente noveleiros. Uma fofoca quente, um amasso embaixo do edredom ou diálogos apimentados cativam mais o espectador do que qualquer prova de resistência entre os concorrentes.
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